sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O Mundo em Catástrofes


Terremotos, enchentes, tsunamis, desabamentos, tornados... Haiti, Ilha Grande, São Paulo, ABC Paulista, Machu Picchu, Cuzco, Barueri, Angra, São Luis do Paraitinga, Guaraciaba, Santa Catarina...
Tudo bem, sei que catástrofes e pessoas traumatizadas vão garantir meu trabalho!!! Mas pera aí!!! Isso já não está ficando exagerado???
O 'papo dos ecologistas' sempre me chamou atenção, mesmo parecendo uma coisa distante, racionalmente era claro que o problema existia, e continua existindo. Mas como sempre o ser humano sempre acha que 'isso não vai acontecer comigo'. Mas na verdade acontece, como sempre aconteceu!!! Desde criança, ouço notícias de desabamento em construções irregulares nas encostas dos morros, mas as favelas continuam crescendo e o pouco que se faz não conseguiu efetivamente mudar esse quadro. BH mesmo tem investido muito nisso nos últimos anos. Mas eu ainda fico me perguntando: 'será que de fato isso terá um impacto?', e olha que eu ainda acredito no ser humano!!!
Mas, voltando às grandes tragédias, acredito que desde a tsunami na Ásia, ficou claro para o mundo que o 'papo dos ecologistas' é serio e que as consequências estão chegando mais rápido do que imaginávamos. Mas Copenhague ainda parece ser o grande exemplo de que ainda queremos acreditar que 'isso não vai acontecer comigo'.
E eu fico aqui no meu consultório, no intervalo entre uma sessão ou outra, escrevendo e pensando o que posso fazer com meu sentimento de impotência com relação a isso!!! Será que posso fazer alguma coisa? Será que escrever algumas linhas para 15 ou talvez 20 pessoas lerem é fazer alguma coisa?

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

EMDR, Respeito e postura profissional

Gostaria novamente de compartilhar com vocês as palavras de uma colega de profissão que muito me toca pela forma (quase poética) de falar da relação terapêutica.


"Sabe, Daniel...
Desde o início, nos meus primeiros contatos com o EMDR, pude sentir que ali havia algo especial. A princípio, eu não podia precisar, exatamente, por quais princípios ele funcionava. Se era um instrumento curador ou, simplesmente, um instrumento que ajudava a 'encobrir' sintomas. Fui caminhando às apalpadelas, desvendando fatos, com o passar do tempo.
O que sinto hoje, e o que penso sobre o EMDR, é que, uma vez nas mãos de um bom profissional frente a um paciente, (seja que paciente for), torna-se um fabuloso instrumento facilitador da integração de sentimentos, crenças e sensações que, circunstancialmente, podem estar desencontradas, aparentemente incoerentes e, portanto, disfuncionais, causando assim, dentro do paciente, algum tipo de sofrimento.
O que quero dizer com 'um bom profissional', é: o profissional que tem o máximo respeito e uma profunda crença na força de seu paciente, tanto quanto em sua própria força, sabendo que aquele (o paciente) sabe, profundamente, o caminho a seguir, se lhes dispomos um mínimo de informações importantes (aspecto 'educativo'), acolhimento, confiança e incentivo.
Nem sempre o que funcionou com um paciente meu, funcionará com o seu, e é preciso que saibamos disso. Teorias são importantes. Mas elas assumem "tonalidades" diferentes, se aplicadas em contextos que combinam aspectos diferentes, com pessoas diferentes. Então, são muito mais as pessoas que nos procuram, cada uma delas, que nos dirão, no fundo no fundo, por onde caminhar. É preciso saber ouvi-las."


Quando perguntei o que ela gostaria de colocar para identificá-la no blog, olha só o que ela me respondeu:

"O que você poderia colocar lá sobre mim??? Que sou uma psicóloga clínica absolutamente comum, que estou em Brasília, que tenho um profundo desejo de que possamos todos nós, psicólogos e pacientes, em cada encontro terapêutico, descobrir que podemos, porque estamos juntos, ser pessoas melhores em muitos aspectos, no nosso dia a dia."

O nome dela é: Silvana Studart

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A [suposta] facilidade de uma pílula

Um dia desses, vi a seguinte mensagem no Twitter de um colega: "@danilocollado: RT @mbelico: concordo com a carol: deviam colocar fluoxetina na água, igual tem flúor."
Fiquei pensando muito a respeito e tentando entender que tipo de idéia ou mensagem é passada com esse tipo de fala. Na verdade lembrei da necessidade de respostas rápidas e sem esforço que a maioria de nós busca a cada dia como forma de resolver magicamente os problemas. Isso me faz lembrar de uma fala, antagonista a essa idéia, do Eugênio Vilaça: "Problemas Complexos exigem soluções complexas".
Se os problemas ou dores que nos afligem são difíceis, por que alimentamos a ilusão de que uma simples pílula vai ser a tábua de salvação?
Não quero dizer com isso que a medicação não é importante, muito pelo contrário. Existem casos em que a medicação é fundamental e outros nos quais ela é um ótimo adjuvante. O problema é quando encaramos o remédio como único e milagroso meio de melhorarmos.
Não deposite sua felicidade em um remédio, tome-as pelas mãos e a construa com o apoio da medicação ou de qualquer outro recurso terapêutico.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Humanidade

Outro dia, assistindo a uma reportagem sobre mulheres ex-combatentes de guerra e TEPT* (ou PTSD) fiquei particularmente triste ao ler os comentários sobre o vídeo que, em sua maioria, eram carregados de intolerância e machismo (pelo menos do meu ponto de vista).
Sei que estamos muito longe de ser um Dalai Lama para reagirmos com paz diante dos mais absurdos (e abundantes) abusos de poder que existem no mundo. Mas defender a paz, a meu ver, requer um mínimo de compaixão. Acredito que não adianta buscar esse caminho carregando ódio e rancor, quase "amaldiçoando" os países ou pessoas que não acreditam nisso. Se eu defendo e acredito na paz, devo defendê-la para todos, não apenas para alguns ou para os meus. O sofrimento imposto a uma pessoa que esteve na guerra é imensurável, e ele atinge tanto as mulheres quanto os homens, além de persistirem anos a fio se não forem tratados adequadamente. Entretanto, as pessoas que detêm o "poder" não sentem nem de longe essa dor imposta aos outro e aos seus. Aqui sim mora a verdadeira questão a ser abordada.

* Transtorno de Estresse Pós Traumático

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

"A TV desunifica os homens"

Tinha um amigo meu na faculdade que adorava essa frase. Não sei qual a autoria, mas ao ler a notícia "TV em excesso reduz expectativa de vida, diz estudo", foi uma das primeiras coisas que passou pela minha cabeça. Não pela relação da frase com o resultado do estudo, mas sim pelos aspectos negativos da TV, ou melhor, os aspectos negativos do uso que fazemos da TV. Um comentário do dia 13 diz exatamente isso.
Algumas pessoas parecem que transformam sua vida em acompanhar a TV. Assim, deixam de se relacionar com as pessoas que estão a sua volta e acabam por se isolar em um pseudo-relacionamento com a 'telinha'. Não deixa de ser confortável, afinal de contas, ela nunca vai reclamar do seu comportamento, e caso você não goste do dela, basta mudar de canal. Relacionar-se com pessoas não é tão fácil assim, mas com certeza, é muito mais produtivo.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Entrevista sobre Programa de Ajuda Humanitária de EMDR


A Aberje recebeu dia 7 de janeiro de 2010 a Profa. Dra. Ana Maria Fonseca Zampieri, psicoterapeuta, que, além de outras atividades, trabalha com traumas após catástrofes naturais, através de Programa de Ajuda Humanitária.

"volta as aulas"

Brincadeiras a parte ou, na verdade, o desejo de voltar para a sala de aula, estou de volta ao blog. Depois de quase 3 semanas imerso em festas, família e viagem, as férias acabam,retorno a BH e recomeçam os compromissos. Na verdade, o blog é o primeiro deles, pois ao trabalho só retomo na próxima semana.
Bem, pessoas, é isso. Só queria dar esse 'oi' neste novo ano.
Abraços