EMDR and the role of the clinician in psychotherapy evaluation: towards a more comprehensive integration of science and practice.
Fonte: J Clin Psychol. 2002 Dec;58(12):1453-63.
O EMDR é uma abordagem de psicoterapia integrativa que tem sido consistentemente considerada como eficiente no tratamento do TEPT. O modelo de processamento de informações que guia sua aplicação clínica indica que o EMDR deve ser eficaz no tratamento de outros distúrbios psicológicos que apresentam contribuintes de experiências prévias. Pesquisas são necessárias para comprovar essa aplicação. Essa edição especial traz três séries de casos nos quais o EMDR foi aplicado no tratamento de TEPT complexo, fobias e dor crônica, respectivamente. Os autores discutem a deficiência da literatura, fornecem dados preliminares do tratamento com EMDR nessas condições e oferecem orientações descritivas para a avaliação que pode ser conduzida na prática clínica. Dois artigos adicionais trazem dados preliminares dos correlatos fisiológicos e afetivo-cognitivos relacionados à mudança terapêutica. Argumenta-se que os clínicos devem desempenhar um papel mais importante na análise rigorosa e ampla de tratamentos psicológicos no contexto das exigências da prática clínica.
domingo, 15 de agosto de 2010
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
A realidade das verdades de uma catástrofe natural
Há algum tempo relatei aqui no Blog minha experiência participando do PAHP (Programa de Ajuda Humanitário Psicológica) em Niterói depois do desastre no Morro do Bumba.
Agora aproveito para divulgar a carta aberta de uma das grandes profissional responsáveis por esse lindo trabalho. Ela traz sua reflexão relatando a situação atual desse drama já esquecido pela mídia.
CARTA ABERTA À SOCIEDADE
A realidade das verdades de uma catástrofe natural é tão complexa quanto a trama do viver a vida.
Em Niterói, Rio de Janeiro, um morro em particular, dentre tantos, caiu nas chuvas de março deste ano. Um morro de nome Bumba, cheio de mistérios do imaginário coletivo, pois um monte de lixo que vira fundação de casas desperta em algumas pessoas a idéia de que o erro um dia aparece, de que a mentira tem pernas curtas, e enfim, que poderes divinos lavaram com a água dos céus e com o preço de várias vidas, a vergonha escondida sob uma comunidade: o lixo!
De diversos tipos metafóricos e nos programas de ajuda humanitária que fizemos em abril e junho deste ano, nós, profissionais do psicotrauma, dos sociodramas, das terapias familiares e da sexologia – interventores em crises e catástrofes, que buscamos colaborar com a resiliência das vidas destes humanos desesperançados por tantas perdas – na meta de prevenir e/ou minimizar enfermidades emocionais que a posteriori podem surgir em torno de vinte por cento dos desabrigados, encontramos a descrição cruel das dinâmicas do que são as verdades.
Uma catástrofe natural, que leva na lama filhos, pais, avós, irmãos, amigos, rivais, animais de estimação, álbuns de fotografias, fitas e DVDs históricos das famílias, documentos, drogas, armas, dinheiro, roupas, dignidade, esperança, fé, entre tantas outras perdas; tem no entorno social – como as pessoas do Bumba, por exemplo – apoio, solidariedade, roupas, alimentos, medicações, abrigos e terapias de traumas. Entre elas está o que o Rotary do Brasil e a F&Z/SP, A TFRJ, a PUC de Goiás, a Delphos do Rio vêm desenvolvendo.
Mas... a vida continua. Os desabrigados de Niterói agora vivem nos abrigos outros traumas: os do confinamento. Morar com estranhos, depois da fase do choque, traz desafios. Todavia, há revelações que as chuvas expõem e os abrigos mostram: das negligências a que nossas crianças, adolescentes e idosos são submetidos; de violências sexuais, emocionais e espirituais que ferem o sentido da dignidade humana; de vozes não ouvidas que, quando superam algum grau do medo, pedem interlocuções.
Por eles e com eles pedimos: “Socorro! Não nos esqueçam aqui, nestes abrigos! Precisamos de cuidados, da esperança de retornarmos a nossos lares, de podermos trabalhar e proteger nossas crianças! Não acabou o problema porque a mídia parou de falar na nossa tragédia! Aqui estamos: confinados, com brigas internas herdadas do morro, com adolescentes engravidando, com crianças abusadas, com idosos sem fé!”
Profª Dra. Ana Maria Fonseca Zampieri
Agora aproveito para divulgar a carta aberta de uma das grandes profissional responsáveis por esse lindo trabalho. Ela traz sua reflexão relatando a situação atual desse drama já esquecido pela mídia.
CARTA ABERTA À SOCIEDADE
A realidade das verdades de uma catástrofe natural é tão complexa quanto a trama do viver a vida.
Em Niterói, Rio de Janeiro, um morro em particular, dentre tantos, caiu nas chuvas de março deste ano. Um morro de nome Bumba, cheio de mistérios do imaginário coletivo, pois um monte de lixo que vira fundação de casas desperta em algumas pessoas a idéia de que o erro um dia aparece, de que a mentira tem pernas curtas, e enfim, que poderes divinos lavaram com a água dos céus e com o preço de várias vidas, a vergonha escondida sob uma comunidade: o lixo!
De diversos tipos metafóricos e nos programas de ajuda humanitária que fizemos em abril e junho deste ano, nós, profissionais do psicotrauma, dos sociodramas, das terapias familiares e da sexologia – interventores em crises e catástrofes, que buscamos colaborar com a resiliência das vidas destes humanos desesperançados por tantas perdas – na meta de prevenir e/ou minimizar enfermidades emocionais que a posteriori podem surgir em torno de vinte por cento dos desabrigados, encontramos a descrição cruel das dinâmicas do que são as verdades.
Uma catástrofe natural, que leva na lama filhos, pais, avós, irmãos, amigos, rivais, animais de estimação, álbuns de fotografias, fitas e DVDs históricos das famílias, documentos, drogas, armas, dinheiro, roupas, dignidade, esperança, fé, entre tantas outras perdas; tem no entorno social – como as pessoas do Bumba, por exemplo – apoio, solidariedade, roupas, alimentos, medicações, abrigos e terapias de traumas. Entre elas está o que o Rotary do Brasil e a F&Z/SP, A TFRJ, a PUC de Goiás, a Delphos do Rio vêm desenvolvendo.
Mas... a vida continua. Os desabrigados de Niterói agora vivem nos abrigos outros traumas: os do confinamento. Morar com estranhos, depois da fase do choque, traz desafios. Todavia, há revelações que as chuvas expõem e os abrigos mostram: das negligências a que nossas crianças, adolescentes e idosos são submetidos; de violências sexuais, emocionais e espirituais que ferem o sentido da dignidade humana; de vozes não ouvidas que, quando superam algum grau do medo, pedem interlocuções.
Por eles e com eles pedimos: “Socorro! Não nos esqueçam aqui, nestes abrigos! Precisamos de cuidados, da esperança de retornarmos a nossos lares, de podermos trabalhar e proteger nossas crianças! Não acabou o problema porque a mídia parou de falar na nossa tragédia! Aqui estamos: confinados, com brigas internas herdadas do morro, com adolescentes engravidando, com crianças abusadas, com idosos sem fé!”
Profª Dra. Ana Maria Fonseca Zampieri
Efeito amenizador da dor com EMDR
Pain ameliorating effect of eye movement desensitization.
Fonte: J Behav Ther Exp Psychiatry. 1994 Jun;25(2):121-9.
Este estudo explora a eficácia do EMDR no tratamento de dor aguda induzida pela exposição da mão à água gelada. Trinta participantes foram randomizados a uma das seguintes intervenções: (a) EMDR, (b) desensibilização por movimentos oculares com música - EMD/M e (c) grupo controle. A abordagem no grupo de EMDR teve como foco as experiências negativas associadas à exposição à água gelada, com geração de crenças positivas e desvio do foco, passando da dor para movimentos rápidos de luz em um monitor. O Grupo EMD/M recebeu a dessensibilização através de sua música preferida. Repetidas mensurações univariadas e multivariadas de análises de covariância foram usadas para estudar os dados. Os resultados indicaram que ambos os procedimentos aliviaram a dor em graus similares e com uma diferença significativa em relação ao grupo controle, P < 0,05.
Fonte: J Behav Ther Exp Psychiatry. 1994 Jun;25(2):121-9.
Este estudo explora a eficácia do EMDR no tratamento de dor aguda induzida pela exposição da mão à água gelada. Trinta participantes foram randomizados a uma das seguintes intervenções: (a) EMDR, (b) desensibilização por movimentos oculares com música - EMD/M e (c) grupo controle. A abordagem no grupo de EMDR teve como foco as experiências negativas associadas à exposição à água gelada, com geração de crenças positivas e desvio do foco, passando da dor para movimentos rápidos de luz em um monitor. O Grupo EMD/M recebeu a dessensibilização através de sua música preferida. Repetidas mensurações univariadas e multivariadas de análises de covariância foram usadas para estudar os dados. Os resultados indicaram que ambos os procedimentos aliviaram a dor em graus similares e com uma diferença significativa em relação ao grupo controle, P < 0,05.
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