quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Livro Curar de David Servan-Schreiber*


Quando crescemos em um meio acadêmico, cercado de profissões tradicionais como Medicina, Engenharia, Direito... tendemos a nos referênciar por uma visão de mundo mais concreta. Com o passar do tempo, podemos enraizar essa visão ou nos abrir a novas perspectivas.
Ao mesmo tempo em que podemos alçar novos voos, temos de ser criteriosos nessas investigações para não cairmos em achismos e crendices sem fundamento. Mas na mesma medida, não podemos rejeitar as coisas a priori só porque não conhecemos ou não entendemos como aquilo se fundamenta.
No primeiro capítulo de “Curar: O Stress, a Ansiedade e a Depressão sem Medicamentos nem Psicanálise”, David Servan-Schreiber fala exatamente da possibilidade de buscar novos caminhos de forma responsável e consciente.
É uma reflexão válida tanto para os profissionais, em especial da saúde, quanto as pessoas de um modo geral. Leia on-line o primeiro capítulo do livro.

*autor de “Anticancer”

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A Psicologia nas Catástrofes da Região Serrana do Rio de Janeiro.

Mais uma vez venho aqui no blog divulgar um trabalho que eu muito admiro. Dessa vez o Programa de Ajuda Humanitária Psicológica (coordenado pela Profa Dra Ana Maria Fonseca Zampieri e pelo Empresário e Rotariano Reinaldo Franco) está se organizando para auxiliar a população atingida pelas Chuvas na região Serrana do Rio de Janeiro (Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo).

Como sempre esse lindo trabalho vem mobilizando profissionais voluntários de diversas regiões do pais com o objetivo de fortalecer os recursos psicológicos das comunidades atingidas e oferecer um suporte especializado no tratamento e prevenção do Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT).

Vejam as considerações da Dra Ana a respeito das questões psicológicas envolvidas no texto:

CATÁSTROFES DA REGIÃO SERRANA DO RIO DE JANEIRO E SAÚDE PSICOLÓGICA

E as proposta de ações para o trabalho que será realizado entre os dias 10 e 13 de janeiro próximo no texto:

A PROPOSTA DO PROGRAMA DE AJUDA HUMANITÁRIA PSICOLÓGICA (PAHP) e as ações para a Região Serrana do Rio de Janeiro.

Catástrofes da Região Serrana do Rio de Janeiro e Saúde Psicológica

Por: Ana Maria Fonseca Zampieri, Ph D.

A saúde pública e todas as ONGs devem estar atentas à necessidade de se evitar que as pessoas danificadas pelas enchentes e deslizamentos na região Serrana do Rio de Janeiro, sofram dos denominados Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT).  Irwin Redlener (2011), diretor do National Center for Disaster Preparedness (Centro Nacional de Preparação para Desastres) da Columbia University, em Nova York, que também trabalhou com vítimas do Katrina, afirma que os governos têm a responsabilidade de oferecer apoio psicológico às vítimas.  "Em desastres naturais como o que está acontecendo no Brasil é certo que as pessoas vão necessitar de apoio psicológico, se não ao longo dos próximos anos, pelo menos nos próximos meses", afirma.  O centro que ele comanda na Columbia University foi criado após os ataques de 11 de setembro, com o objetivo de melhorar a capacidade do país de preparação, resposta e recuperação de desastres.

Precisamos ter cuidados com as consequências emocionais dessas tragédias, como nos diz o Dr.  Néstor Koldobsky (2007) estudioso da emergentologia.  Tragédias com tantos lutos como esta, da região serrana do Rio de Janeiro, neste 2011, podem trazer sequelas psicofísicas e condutuais, cujos sintomas poderão influir no desenvolvimento da personalidade e/ou enfermidades psíquicas para os próximos anos. 
O Transtorno de Estresse Pós Traumático (TEPT), na linguagem médica, apresenta diminuição na excreção de cortisol urinário, baixos níveis de cortisol plasmático e aumento da densidade de GR nos linfócitos periféricos, afirma o Dr Koldobsky (2007). 

Os sobreviventes desta tragédia, sem distinção de gênero, idade, raça, classe social, religião, orientações sexuais, personalidades e tamanhos físicos, sofrerão seus efeitos, em diversos graus.  Pode haver uma desativação dos mecanismos de auto proteção, que atua no campo das emoções e da consciência de perigo .
Sabemos que os traumas podem afetar as pessoas danificadas por tragédias como estas, nos níveis: biológico, psicológico, social e espiritual.

O que desperta no nível individual e coletivo uma tragédia como esta da região serrana do Rio de Janeiro? As pessoas afetadas estão num complexo de choque e surpresa com os fatos; têm aumentados seus sentidos de antecipação das defesas e de suas operações de enfrentamento.  Podem se expressar com negação, como que auto anestesiadas e reações radicais do tipo "tudo ou nada".  Pode haver ausência aparente de sentimentos, sentidos persistentes de raiva e de tristeza suspensa.  São diversos mecanismos de sintomas complexos, difusos e persistentes por pelo menos seis semanas após o fato vivido.

Há mudanças na visão de si mesmos e de sua auto estima, de sua capacidade de agir em prol da defesa de seus entes e dependentes.  Ficam vulneráveis a retraumatizações do entorno da catástrofe.  Apresentam como que uma espécie de “fratura” de coerência cognitivo comportamental, com sentidos negativos do self, e passam a usar defesas psicológicas primitivas, com tendências a repetir atitudes impróprias, imaturas ou conflitivas.

Podem ser invadidas por estados de desilusão aguda e perda de crença em Deus e na vida.  Aqui é preciso, caso haja cronificação destes estados, por mais de seis semanas, ter cuidados com ideias suicidas.
Cerca de 20% dos pacientes que não conseguem superar o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) poderão apresentar sintomas como ansiedade e depressão até três anos após o evento.  Nesses casos, terapias individuais e psiquiátricas, são recomendadas. 

Algumas pessoas, por supressão voluntária dos pensamentos ligados ao trauma, podem apresentar uma espécie de transe com estados de alucinação e dissociações de partes da consciência e da personalidade.
Observamos também a presença de distúrbios corporais ou por somatização como: insônia, reações de sobressalto e agitação, tremores, náuseas, sensações de dificuldades respiratórias, entre outras. 
Devemos lembrar, no entanto, que essas reações são normais e esperadas em situações anormais e, num primeiro momento, não devem ser identificadas como Transtorno de Estresse Pós-Traumático-TEPT. 
Estes complexos aspectos psicológicos das pessoas que vivem as catástrofes, direta ou indiretamente, afetam suas vidas pessoais, interrelacionais, laborais, sociais e, em alguns casos, determinando sérias discapacidades em alguns níveis de suas vidas ou, em outros, na totalidade de seus níveis de funcionamento.

O Programa de Ajuda Humanitária Psicológica (PAHP), embasado nestes conhecimentos, pretende fazer uma prevenção que favoreça a saúde mental da população afetada. Conheça aqui a proposta do PAHP para a Região Serrana do Rio.

Consultório Psicoterapêutico
Profª Dra.  Ana Maria Fonseca Zampieri
Rua Joaquim Floriano, 466 cj.  2108
Itaim Bibi - 04534-002
São Paulo - SP
Tel./Fax: (11) 2165-8118

A Proposta do Programa de Ajuda Humanitária Psicológica (PAHP) e as ações para a Região Serrana do Rio de Janeiro.

Por: Ana Maria Fonseca Zampieri, Ph D.

O Programa de Ajuda Humanitária Psicológica (PAHP) da Região serrana do Rio de Janeiro, embasado nos conhecimentos apresentados no texto CATÁSTROFES DA REGIÃO SERRANA DO RIO DE JANEIRO E SAÚDE PSICOLÓGICA, pretende fazer uma prevenção que favoreça a saúde mental da população afetada.

As pessoas com mais chances de desenvolver o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), são as que tiveram suas vidas ameaçadas e viram parentes morrer.  Em seguida, estão os que não correram risco de morte, mas perderam familiares e conhecidos; e por fim, as pessoas que não sofreram perdas diretamente, mas estão chocadas com a tragédia.

As reações ao desastre dependem da personalidade de cada pessoa; alguns são mais resistentes e não terão efeitos no longo prazo.  Outros vão carregar o impacto psicológico por um longo período, e poderão sofrer de TEPT.

As primeiras respostas de pessoas danificadas com enchentes, é tentar garantir a sobrevivência, e elas apenas reagem aos acontecimentos, sem condições de processar as informações.  Todavia, quando o perigo inicial passou, percebem a extensão do que aconteceu e aí pode ocorrer um período de choque, confusão e desorientação.  Isso pode acontecer também com profissionais que trabalham nas equipes de resgate. 
Estudos e pesquisas mostram que cerca de 60% das vítimas de desastres se recuperam do trauma sozinhos, sem precisar de apoio psicológico.  Para os 40% que desenvolvem os problemas de saúde emocional, a ação da comunidade, com o apoio do governo, é extremamente importante. 

Em desastres de larga escala como esse, terapias de grupo organizadas pela comunidade funcionam bem, porque incentivam as pessoas a se abrir e dividir experiências.  Quando verbalizamos os sentimentos, podemos lidar mais facilmente com eles.  Os protocolos que o PAHP utiliza,buscam em primeira instância, essa meta: o compartilhar de experiências e a busca grupal de uma espécie de "empoderamento coletivo" para fortalecimento interno das pessoas, para suas sobrevidas e suas recuperações emocionais.  Tecnicamente chamamos a isto de resiliência fortalecida, ou seja, a possibilidade de crescimento nas crises humanas.

Um dos métodos usados no PAHP é o chamado SOCIODRAMA CONSTRUTIVISTA DA RECONSTRUÇÃO, onde a arte do teatro psicológico e terapêutico pode ser um meio mais aceitável de lidar com a dor, o medo e o luto.

Estamos no momento de garantir abrigo, comida, água e o mínimo de conforto possível.  Após a chamada fase de “lua de mel” de ajuda aos danificados, pode vir a fase do abandono, quando as pessoas terão que tomar, por conta própria, medidas como alimentos, moradias e atendimentos médicos e psicológicos.  Sentem-se isoladas, abandonadas, assustadas e algumas vezes muito revoltadas.

O Programa de Ajuda Humanitária Psicológica (PAHP) tem especial atenção com as crianças, que geralmente sofrem mais o impacto psicológico de um evento como as enchentes das serras do Rio de Janeiro.  Elas são particularmente vulneráveis, podem ficar muito quietas, não falar sobre o assunto ou regredir para fases de ter medo de dormir sozinhas, chorarem muito, ficarem irritadiças e perder o controle dos esfíncteres, que já tinham desenvolvido anteriormente, entre outros.  O PAHP desenvolveu e adaptou protocolos de EMDR, criados por Jarero e Artigas (México, 2006) especiais para atendimentos individuais e coletivos com crianças de todas as idades e bebês, atendidos juntamente com mães ou cuidadores.

Uma equipe de psicólogos treinados em ESTRATÉGIAS GRUPAIS EM CATÁSTROFES PARA PREVENÇÃO DE ESTRESSES PÓS-TRAUMÁTICOS e mais empresários e profissionais voluntários de São Paulo, Brasília, Blumenau, Maranhão, Goiânia e Rio de Janeiro, estiveram em várias regiões do Brasil para atender as vítimas das catástrofes naturais ocorridas.  A iniciativa é fruto de parceiros entre as propostas técnicas e cientificas da F&Z Assessoria e Desenvolvimento em Educação e Saúde de São Paulo, em parceria com a Pontifícia Universidade Católica de Goiás, toda a organização logística do Rotary Internacional de: Butantã, São Paulo e de profissionais de comunicação do grupo chamado Comunicadores Sem Fronteiras – CSF.

Este Programa de Ajuda Humanitária Psicológica – PAHP às vitimas de catástrofes, tem recebido parcerias da FIESC, do SESI e da FAB, além das Secretarias de Saúde de Guaraciaba, de Blumenau, de Ilhota e Gaspar em Santa Catarina e de São Luiz, Rosário, Trizidela e Pedreiras no Maranhão.  Também têm parcerias da Universidade Federal Fluminense, do Grupo Tendas, do Delphos do Rio de Janeiro e da Associação de Terapia Familiar do Rio de Janeiro da EMDR Brasil e da FEBRAP.  Este é o oitavo Programa de Ajuda Humanitária Psicológica - PAHP que este grupo desenvolve desde 2008.  Cerca de 6.600 pessoas já foram favorecidas com este trabalho.

O Programa de Ajuda Humanitária Psicológica (PAHP), é coordenado pela Prof.ª Dra.  Ana Maria Fonseca Zampieri no que tange ao corpo científico, e pelo empresário e rotariano Sr.  Reinaldo Franco.  O PAHP tem em seu grupo profissional, psicólogos, médicos e especialistas, mestres, doutores e pós-doutores, com formação em Sociodrama Construtivista de Reconstrução em Catástrofes, Psicodrama, Intervenção em Crises, Debriefing, Manual Grupal Integrativo, EMDR e Terapia Familiar Sistêmica.  Juntos atendem grupos específicos de crianças, adolescentes, adultos e idosos, além de bombeiros, militares e médicos do SAMU.  As intervenções, com planejamento estratégico piramidal, começam com atendimentos em grupos pequenos, que favorecem a triagem para as pessoas mais afetadas, que receberão atendimentos individuais.  Estas ESTRATÉGIAS GRUPAIS EM CATÁSTROFES PARA PREVENÇÃO DE ESTRESSES PÓS-TRAUMÁTICOS foram chamadas pela mídia de Blumenau, em 2009 de: ABRIGOS PARA ALMAS e inclui o treinamento de 60 horas, para psicólogos, da rede pública e do grupo de voluntariado rotariano, para a manutenção dos atendimentos à população.  Já foram capacitados 200 profissionais em Santa Catarina, Maranhão, Niterói e São Paulo.

Haverá psicoeducação, com folhetos de primeiros socorros emocionais distribuídos na mídia, em escolas, e nos CRAS das regiões afetadas.

Os interessados em mais detalhes sobre este Programa de Ajuda Humanitária Psicológica (PAHP) á região serrana do Rio de Janeiro, poderão entrar em contato pelo e-mail: cons_amfz@hotmail.com.

Consultório Psicoterapêutico
Profª Dra.  Ana Maria Fonseca Zampieri
Rua Joaquim Floriano, 466 cj.  2108
Itaim Bibi - 04534-002
São Paulo - SP
Tel./Fax: (11) 2165-8118