sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Catástrofes da Região Serrana do Rio de Janeiro e Saúde Psicológica

Por: Ana Maria Fonseca Zampieri, Ph D.

A saúde pública e todas as ONGs devem estar atentas à necessidade de se evitar que as pessoas danificadas pelas enchentes e deslizamentos na região Serrana do Rio de Janeiro, sofram dos denominados Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT).  Irwin Redlener (2011), diretor do National Center for Disaster Preparedness (Centro Nacional de Preparação para Desastres) da Columbia University, em Nova York, que também trabalhou com vítimas do Katrina, afirma que os governos têm a responsabilidade de oferecer apoio psicológico às vítimas.  "Em desastres naturais como o que está acontecendo no Brasil é certo que as pessoas vão necessitar de apoio psicológico, se não ao longo dos próximos anos, pelo menos nos próximos meses", afirma.  O centro que ele comanda na Columbia University foi criado após os ataques de 11 de setembro, com o objetivo de melhorar a capacidade do país de preparação, resposta e recuperação de desastres.

Precisamos ter cuidados com as consequências emocionais dessas tragédias, como nos diz o Dr.  Néstor Koldobsky (2007) estudioso da emergentologia.  Tragédias com tantos lutos como esta, da região serrana do Rio de Janeiro, neste 2011, podem trazer sequelas psicofísicas e condutuais, cujos sintomas poderão influir no desenvolvimento da personalidade e/ou enfermidades psíquicas para os próximos anos. 
O Transtorno de Estresse Pós Traumático (TEPT), na linguagem médica, apresenta diminuição na excreção de cortisol urinário, baixos níveis de cortisol plasmático e aumento da densidade de GR nos linfócitos periféricos, afirma o Dr Koldobsky (2007). 

Os sobreviventes desta tragédia, sem distinção de gênero, idade, raça, classe social, religião, orientações sexuais, personalidades e tamanhos físicos, sofrerão seus efeitos, em diversos graus.  Pode haver uma desativação dos mecanismos de auto proteção, que atua no campo das emoções e da consciência de perigo .
Sabemos que os traumas podem afetar as pessoas danificadas por tragédias como estas, nos níveis: biológico, psicológico, social e espiritual.

O que desperta no nível individual e coletivo uma tragédia como esta da região serrana do Rio de Janeiro? As pessoas afetadas estão num complexo de choque e surpresa com os fatos; têm aumentados seus sentidos de antecipação das defesas e de suas operações de enfrentamento.  Podem se expressar com negação, como que auto anestesiadas e reações radicais do tipo "tudo ou nada".  Pode haver ausência aparente de sentimentos, sentidos persistentes de raiva e de tristeza suspensa.  São diversos mecanismos de sintomas complexos, difusos e persistentes por pelo menos seis semanas após o fato vivido.

Há mudanças na visão de si mesmos e de sua auto estima, de sua capacidade de agir em prol da defesa de seus entes e dependentes.  Ficam vulneráveis a retraumatizações do entorno da catástrofe.  Apresentam como que uma espécie de “fratura” de coerência cognitivo comportamental, com sentidos negativos do self, e passam a usar defesas psicológicas primitivas, com tendências a repetir atitudes impróprias, imaturas ou conflitivas.

Podem ser invadidas por estados de desilusão aguda e perda de crença em Deus e na vida.  Aqui é preciso, caso haja cronificação destes estados, por mais de seis semanas, ter cuidados com ideias suicidas.
Cerca de 20% dos pacientes que não conseguem superar o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) poderão apresentar sintomas como ansiedade e depressão até três anos após o evento.  Nesses casos, terapias individuais e psiquiátricas, são recomendadas. 

Algumas pessoas, por supressão voluntária dos pensamentos ligados ao trauma, podem apresentar uma espécie de transe com estados de alucinação e dissociações de partes da consciência e da personalidade.
Observamos também a presença de distúrbios corporais ou por somatização como: insônia, reações de sobressalto e agitação, tremores, náuseas, sensações de dificuldades respiratórias, entre outras. 
Devemos lembrar, no entanto, que essas reações são normais e esperadas em situações anormais e, num primeiro momento, não devem ser identificadas como Transtorno de Estresse Pós-Traumático-TEPT. 
Estes complexos aspectos psicológicos das pessoas que vivem as catástrofes, direta ou indiretamente, afetam suas vidas pessoais, interrelacionais, laborais, sociais e, em alguns casos, determinando sérias discapacidades em alguns níveis de suas vidas ou, em outros, na totalidade de seus níveis de funcionamento.

O Programa de Ajuda Humanitária Psicológica (PAHP), embasado nestes conhecimentos, pretende fazer uma prevenção que favoreça a saúde mental da população afetada. Conheça aqui a proposta do PAHP para a Região Serrana do Rio.

Consultório Psicoterapêutico
Profª Dra.  Ana Maria Fonseca Zampieri
Rua Joaquim Floriano, 466 cj.  2108
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