sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A Proposta do Programa de Ajuda Humanitária Psicológica (PAHP) e as ações para a Região Serrana do Rio de Janeiro.

Por: Ana Maria Fonseca Zampieri, Ph D.

O Programa de Ajuda Humanitária Psicológica (PAHP) da Região serrana do Rio de Janeiro, embasado nos conhecimentos apresentados no texto CATÁSTROFES DA REGIÃO SERRANA DO RIO DE JANEIRO E SAÚDE PSICOLÓGICA, pretende fazer uma prevenção que favoreça a saúde mental da população afetada.

As pessoas com mais chances de desenvolver o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), são as que tiveram suas vidas ameaçadas e viram parentes morrer.  Em seguida, estão os que não correram risco de morte, mas perderam familiares e conhecidos; e por fim, as pessoas que não sofreram perdas diretamente, mas estão chocadas com a tragédia.

As reações ao desastre dependem da personalidade de cada pessoa; alguns são mais resistentes e não terão efeitos no longo prazo.  Outros vão carregar o impacto psicológico por um longo período, e poderão sofrer de TEPT.

As primeiras respostas de pessoas danificadas com enchentes, é tentar garantir a sobrevivência, e elas apenas reagem aos acontecimentos, sem condições de processar as informações.  Todavia, quando o perigo inicial passou, percebem a extensão do que aconteceu e aí pode ocorrer um período de choque, confusão e desorientação.  Isso pode acontecer também com profissionais que trabalham nas equipes de resgate. 
Estudos e pesquisas mostram que cerca de 60% das vítimas de desastres se recuperam do trauma sozinhos, sem precisar de apoio psicológico.  Para os 40% que desenvolvem os problemas de saúde emocional, a ação da comunidade, com o apoio do governo, é extremamente importante. 

Em desastres de larga escala como esse, terapias de grupo organizadas pela comunidade funcionam bem, porque incentivam as pessoas a se abrir e dividir experiências.  Quando verbalizamos os sentimentos, podemos lidar mais facilmente com eles.  Os protocolos que o PAHP utiliza,buscam em primeira instância, essa meta: o compartilhar de experiências e a busca grupal de uma espécie de "empoderamento coletivo" para fortalecimento interno das pessoas, para suas sobrevidas e suas recuperações emocionais.  Tecnicamente chamamos a isto de resiliência fortalecida, ou seja, a possibilidade de crescimento nas crises humanas.

Um dos métodos usados no PAHP é o chamado SOCIODRAMA CONSTRUTIVISTA DA RECONSTRUÇÃO, onde a arte do teatro psicológico e terapêutico pode ser um meio mais aceitável de lidar com a dor, o medo e o luto.

Estamos no momento de garantir abrigo, comida, água e o mínimo de conforto possível.  Após a chamada fase de “lua de mel” de ajuda aos danificados, pode vir a fase do abandono, quando as pessoas terão que tomar, por conta própria, medidas como alimentos, moradias e atendimentos médicos e psicológicos.  Sentem-se isoladas, abandonadas, assustadas e algumas vezes muito revoltadas.

O Programa de Ajuda Humanitária Psicológica (PAHP) tem especial atenção com as crianças, que geralmente sofrem mais o impacto psicológico de um evento como as enchentes das serras do Rio de Janeiro.  Elas são particularmente vulneráveis, podem ficar muito quietas, não falar sobre o assunto ou regredir para fases de ter medo de dormir sozinhas, chorarem muito, ficarem irritadiças e perder o controle dos esfíncteres, que já tinham desenvolvido anteriormente, entre outros.  O PAHP desenvolveu e adaptou protocolos de EMDR, criados por Jarero e Artigas (México, 2006) especiais para atendimentos individuais e coletivos com crianças de todas as idades e bebês, atendidos juntamente com mães ou cuidadores.

Uma equipe de psicólogos treinados em ESTRATÉGIAS GRUPAIS EM CATÁSTROFES PARA PREVENÇÃO DE ESTRESSES PÓS-TRAUMÁTICOS e mais empresários e profissionais voluntários de São Paulo, Brasília, Blumenau, Maranhão, Goiânia e Rio de Janeiro, estiveram em várias regiões do Brasil para atender as vítimas das catástrofes naturais ocorridas.  A iniciativa é fruto de parceiros entre as propostas técnicas e cientificas da F&Z Assessoria e Desenvolvimento em Educação e Saúde de São Paulo, em parceria com a Pontifícia Universidade Católica de Goiás, toda a organização logística do Rotary Internacional de: Butantã, São Paulo e de profissionais de comunicação do grupo chamado Comunicadores Sem Fronteiras – CSF.

Este Programa de Ajuda Humanitária Psicológica – PAHP às vitimas de catástrofes, tem recebido parcerias da FIESC, do SESI e da FAB, além das Secretarias de Saúde de Guaraciaba, de Blumenau, de Ilhota e Gaspar em Santa Catarina e de São Luiz, Rosário, Trizidela e Pedreiras no Maranhão.  Também têm parcerias da Universidade Federal Fluminense, do Grupo Tendas, do Delphos do Rio de Janeiro e da Associação de Terapia Familiar do Rio de Janeiro da EMDR Brasil e da FEBRAP.  Este é o oitavo Programa de Ajuda Humanitária Psicológica - PAHP que este grupo desenvolve desde 2008.  Cerca de 6.600 pessoas já foram favorecidas com este trabalho.

O Programa de Ajuda Humanitária Psicológica (PAHP), é coordenado pela Prof.ª Dra.  Ana Maria Fonseca Zampieri no que tange ao corpo científico, e pelo empresário e rotariano Sr.  Reinaldo Franco.  O PAHP tem em seu grupo profissional, psicólogos, médicos e especialistas, mestres, doutores e pós-doutores, com formação em Sociodrama Construtivista de Reconstrução em Catástrofes, Psicodrama, Intervenção em Crises, Debriefing, Manual Grupal Integrativo, EMDR e Terapia Familiar Sistêmica.  Juntos atendem grupos específicos de crianças, adolescentes, adultos e idosos, além de bombeiros, militares e médicos do SAMU.  As intervenções, com planejamento estratégico piramidal, começam com atendimentos em grupos pequenos, que favorecem a triagem para as pessoas mais afetadas, que receberão atendimentos individuais.  Estas ESTRATÉGIAS GRUPAIS EM CATÁSTROFES PARA PREVENÇÃO DE ESTRESSES PÓS-TRAUMÁTICOS foram chamadas pela mídia de Blumenau, em 2009 de: ABRIGOS PARA ALMAS e inclui o treinamento de 60 horas, para psicólogos, da rede pública e do grupo de voluntariado rotariano, para a manutenção dos atendimentos à população.  Já foram capacitados 200 profissionais em Santa Catarina, Maranhão, Niterói e São Paulo.

Haverá psicoeducação, com folhetos de primeiros socorros emocionais distribuídos na mídia, em escolas, e nos CRAS das regiões afetadas.

Os interessados em mais detalhes sobre este Programa de Ajuda Humanitária Psicológica (PAHP) á região serrana do Rio de Janeiro, poderão entrar em contato pelo e-mail: cons_amfz@hotmail.com.

Consultório Psicoterapêutico
Profª Dra.  Ana Maria Fonseca Zampieri
Rua Joaquim Floriano, 466 cj.  2108
Itaim Bibi - 04534-002
São Paulo - SP
Tel./Fax: (11) 2165-8118

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