quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Resgate Emocional dos Mineiros Chilenos. Somos co-responsáveis?

Em 13 de outubro deste ano, após 69 dias de confinamento, a cápsula FÊNIX 2, às 0:10 h do Chile, emergiu com o primeiro mineiro resgatado: o Sr. Florencio Avalos, que foi recebido por braços e abraços emocionados de seu filho de 7 anos e sua mulher e, logo depois, do presidente Sebastian Piñera. Metaforicamente, um parto presenciado por centenas de pessoas, num acampamento de apoio e entorno emocional, afetivo, ansioso, agitado e super energizado, não apenas denominado de Esperanza, mas simbolizado pelo desejo e a fé e partos exitosos, de um útero de 33 gemelares a 622 metros de profundidade.
O mundo fez o papel de platéia, e um simbolismo universal, em vários credos e línguas, projetavam os mais profundos dilemas humanos entre a vida e a morte, entre a impotência e a capacidade de salvamento, da inédita operação de resgate San Lorenzo.
Quem de nós, desde Platão, não tem medo e atração por mistérios de cavernas escuras, e essa, concretizada nas entranhas da Terra? Uma história que supera qualquer projeção de um reality show, com a espetacularidade hollywoodiana; mas também com a intensidade de solidariedade e emoção mundial! Uma emoção de compartilhar um destino coletivo, em situações limites da experiência humana, onde perfis psicológicos ganham palco para novos e específicos papéis de heroísmo digno de uma odisséia, que ultrapassa a do grupo de 33 e atinge a da espécie humana. Neil Armstrong, na odisséia lunar, disse que dava um passo pequeno como homem, mas um salto para a humanidade. O resgate da mina San Jose, no Chile, pela capsula Fênix 2, resgatando homens submetidos a um grande pesadelo humano, que é o de ser enterrado vivo, teve conotações de mitos, como o do pássaro Fênix, que renasceu das cinzas.
Vejamos as palavras chave dessa odisséia: Fênix, Esperanza, salvação, extremos, medos, organização, liderança, triunfo, limites e milagres.
A frase do primeiro mineiro resgatado pela Fênix 2 foi: “Oxalá o exemplo dos mineiros fique para sempre conosco, porque os mineiros demonstraram que, quando o Chile se une, somos capazes de qualquer coisa”. Assim enaltecia Avalos, a força mítica da união e do amor, aliados à tecnologia. Tentemos substituir, nessa frase, a palavra Chile por: família, equipe, amantes, casais, irmãos, partidos, empresas e grupos, entre outros, e observemos como ela é protagônica de nossos anseios humanos.
Da raiz indoeuropéia ter (usar quebrando) e do grego titroskein (ferir, deteriorar) e troma (ferida, dano, desastre) a palavra traumatikos, depois traumaticus que nos oferece o atual termo: traumático; o trauma é uma resposta do sistema nervoso e não tem origem no evento. Podemos dizer que ele é um estado severo de medo, que vivenciamos quando somos confrontados com um evento repentino e inesperado, potencialmente ameaçador à vida, sobre o qual não temos nenhum controle (Flannery, 1994). O trauma acontece quando o organismo é forçado além de sua capacidade adaptativa, para regular os estados de ativação de luta ou fuga.
Como um acontecimento se transforma em trauma? Apesar de a ansiedade estar presente em todos os seres humanos, alguns indivíduos a manifestam com intensidade e duração exacerbadas, impedindo a continuidade equilibrada da vida. É o caso de boa parte das pessoas que sofreram traumas: um acontecimento se transforma em trauma quando o seu sistema é sobrecarregado cronicamente.
Como o trauma se apresenta? As lembranças do trauma geralmente estão fragmentadas em imagens, sons, odores, sensações físicas (náuseas, tonturas e outras) ou emoções (aversão, nojo, medo, pavor, raiva, tristeza) não integradas a outras memórias autobiográficas. Estímulos relacionados ao evento traumático, específicos e/ou genéricos, podem reativar as memórias que retornam muito mais fortes que uma simples recordação, com nitidez visual e forte expressão emocional, provocando a revivência do evento que foi traumagênico.
Traumas podem afetar o funcionamento cognitivo, a saúde física e as relações interpessoais.
Moty Benyakar (2006), psiquiatra e grande pesquisador argentino desta temática, diz que a noção de trauma é inerente à complexidade da existência humana e que a área da traumatologia estuda as conseqüências psicossociais mediatas e imediatas dos eventos disruptivos, que podem ocorrer.
Todos nós, seres humanos e animais em geral, temos uma fisiologia de resposta ao perigo. O nosso sistema nervoso autônomo regula funções básicas do corpo, incluindo o sistema visceral, ou nossos órgãos internos e tem duas ramificações: o Sistema Nervoso Simpático e o Sistema Nervoso Parassimpático. O (SNS) é ativado quando estamos alertas, excitados ou envolvidos em atividades físicas; e nos prepara para enfrentar emergências e ameaças. Ele prepara para o perigo, luta ou fuga. Já o Sistema Nervoso Parassimpático (SNP) é o que ajuda a relaxar, reorganizar e regenerar, após a ameaça ou perigo.
Trabalhamos enquanto psicoterapeutas, com crianças, adolescentes e adultos, com histórias de traumas, com terapia de EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing) ou Movimento Ocular, Dessensibilização e Reprocessamento. Esta abordagem terapêutica busca a integração emocional e cognitiva da experiência que resultou em trauma.
Shapiro (2002), criadora do EMDR, diz que a busca do processo de informação adaptativa facilita ao terapeuta um procedimento para identificar os acontecimentos passados que contribuem ao problema, os acontecimentos atuais que o desencadeiam e as habilidades e recursos internos que necessitam ser incorporados, para uma vida plena e saudável.
Pesquisas em mais de 70 países mostram como o EMDR traz bons resultados com pessoas vítimas de um único acontecimento traumático (Rubin, 2003), com cerca de algumas sessões (3 a 8) de 90 minutos. Com situações de trauma repetidos, como abusos sexuais, físicos e psicológicos ao longo da infância, o tratamento exige um tempo bem mais longo, dependendo do caso.
Como nenhum homem é uma ilha e vive isolado, é importante focalizar a dimensão psicossocial do trauma na saúde mental das pessoas. Este deve estar situado em coordenadas sócio-históricas bem como seus diversos entornos. Historizar a dor de onde vem, que razões ela possui e quais personagens e protagonistas estão presentes, é fundamental.
Nos Programas de Ajuda Humanitária Psicológica – PAHP - que fazemos desde 2008, ainda encontramos pessoas que explicam o sintoma, pós-tragédias, especialmente as dissociações, como coisa do demônio ou espirituais.
Quero aqui refletir sobre o cuidado que nós, os psicoterapeutas, devemos ter em não nos limitarmos apenas aos aspectos observáveis dos eventos catastróficos ou traumatogênicos, bem como aos sintomas, especialmente do chamado Transtorno de Estresse Pós-Traumático – TEPT, (Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais, DSM – IV), mas também às forças e ao crescimento de pessoas que vivem experiências potencialmente traumáticas. Precisamos observar como circunstâncias internas e externas das pessoas e de suas redes sociais, podem constituir as forças que chamamos de resilientes, pois, após a superação trazem “empoderamento” às vítimas de catástrofes, por exemplo.
O trabalho do Programa de Ajuda Humanitária Psicológica (PAHP) nasceu desta concepção: de nossa crença na busca do desenvolvimento de forças internas dos desabrigados e danificados de catástrofes naturais e provocadas pelo homem, para a construção de entornos de redes sociais e emocionais mais resilientes nos indivíduos e nos grupos.
Os métodos utilizados no Programa de Ajuda Humanitária Psicológica - PAHP também incluem a busca da resignificação do entorno interno das pessoas afetadas, favorecendo situações onde possam se sentir mais seguras e relaxadas emocionalmente, para enfrentar as decorrências e lembranças dos temores das catástrofes. Tentamos oferecer recursos de aprendizagem de controle da não manutenção das aprendizagens de reações de estresses, para que as pessoas danificadas por catástrofes, através de dinâmicas sistêmicas interpessoais e intrapsíquicas, possam ser ajudadas, além da superação, para o fortalecimento de suas vinculações para a vida, para a recuperação e o resgate da saúde, da auto-estima e do sentimento de dignidade em ser um ser humano.
Uma boa formação sobre os eventos, o fato de que cada um saber o que fazer nestas situações, quais são as instituições responsáveis para lidar com esses acontecimentos e lugares aos quais recorrer, entre outros, tem um papel importante. Capacitação é necessária, nestes casos, para preparar as pessoas para descobrirem os seus próprios recursos para resolver estas situações.
Neste Programa de Ajuda Humanitária Psicológica (PAHP) ganhamos como parceiros inestimáveis, jornalistas da Associação Brasileira de Jornalistas de Empresas, ABERJE, que, atendendo aos nossos apelos de apoio para essa educação da população afetada por catástrofes, criaram o chamado Comunicadores Sem Fronteiras (CSF), cuja meta é, através dos recursos da mídia local, passar informações às pessoas sobre o funcionamento do PAHP no local, bem como sobre os sintomas esperados nessas circunstâncias.
Numa catástrofe natural podemos trabalhar em três momentos especiais: a fase do pré-impacto, quando se pode avisar a população, com alguma antecedência; a do impacto propriamente dito e a do pós-impacto, quando se fazem as avaliações de danos materiais e humanos.
O Programa de Ajuda Humanitária Psicológica - PAHP trabalha as segunda e terceira fases: a do impacto e a do pós-impacto, com a fase de “lua de mel” de ajudas e solidariedade e quando chegam os auxílios de abrigos, roupas, alimentos e remédios. E depois, a “fase da desilusão”, quando há interrupção desses apoios e as pessoas podem ter que enfrentar problemas, que poderão continuar para o resto de suas vidas, como, por exemplo a experiência de ficarem “abandonados” em confinamentos de abrigos..
Os efeitos mentais das catástrofes podem acarretar estresses pós-traumáticos e gerar sequelas altamente danosas ao desenvolvimento das futuras gerações. Em contextos sociais pós-catástrofes, são potencializadas as mazelas da pedofilia, do abuso sexual intrafamiliar, das agressões dos mais diversos níveis, do abandono das crianças, do desligamento social dos adultos, do abandono das atividades cotidianas, da desestruturação da família e do desaparecimento das perspectivas de futuro.
A idéia de resiliência significa que de, alguma forma, os indivíduos poderiam escapar de um destino inevitável, se eles forem os fatores que aumentam a sua capacidade de suportar o impacto psicológico normal de um evento.
Ressalto que não apenas as pessoas danificadas diretamente e que perderam seus lares, ou ficaram confinados, como os 33 mineiros chilenos, precisam de um trabalho psicológico, mas, também, seus familiares e todos os envolvidos no evento, como: socorristas, médicos, enfermeiros, bombeiros, militares, policiais e voluntários, entre outros. Além, é claro, da equipe do Programa de Ajuda Humanitária Psicológica - PAHP, com atendimentos psicoterapêuticos e de supervisão diários.
Atendemos nestes PAHP, seis mil pessoas e capacitamos 180 psicólogos junto ao Rotary de São Paulo – Butantã, de Blumenau, Ilhota, Gaspar e Guarapicaba, de São Luís do Maranhão, de Santana do Parnaíba em São Paulo e de Niterói na queda dos morros ente ano. Com a filosofia de que uma Psicologia para a Humanidade é um compromisso de cidadania e de comprometimento da ciência nesta era pós-moderna. O que acontecerá e está acontecendo no mundo interno desses 33 seres humanos?
O mundo intrapsíquico é altamente complexo, mas podemos hipotetizar algumas questões.
Em primeiro lugar, lembrar que nem todos que vivem um evento traumatogênico, ou seja, que tem potencial traumático, terá problemas a posteriori.
O entorno familiar e social colaborarão para essa especulação diagnóstica. Evitar ao máximo super exposição e super proteção, são eficazes recomendações. Todos foram danificados pelo evento, mas não necessariamente vitimizados. As vítimas se enfraquecem e os danificados buscam tratar-se e evoluir. Isto não é um jogo de palavras, mas sim um alerta a que tipo de construções, mais ou menos saudáveis emocionalmente, podemos elaborar coletivamente, nas relações humanas.
Algumas reações são usuais como: hiperexcitação, flashbacks, insônia, irritabilidade, sintomas de depressão, hipervigilância, uso abusivo de álcool, dificuldade de concentração, disfunções sexuais e distúrbios alimentares, entre outros; são esperados para as primeiras seis semanas. Todavia, se prosseguirem, serão sinais de alerta e atenção para encaminhamentos para tratamento mais específicos.
Há pesquisas que mostram que sintomas e sinais pós-incidentes críticos, podem surgir bem mais tarde, até em torno de dez anos. Portanto, terapias que se propõem a tratar preventivamente esses 33 mineiros são recomendáveis. O EMDR é uma abordagem terapêutica altamente indicada para estas situações. Sugiro, ainda, que se indiquem terapias de prevenção, com EMDR, para as chamadas traumatizações secundárias, ou seja, dirigidas aos que vivenciaram indiretamente o drama da mina; aos familiares e pessoas da comunidade que convivem com esses homens. Se o contexto local, social e familiar for tratado, esclarecido e orientado, terão, esses mineiros, uma sustentação de entorno altamente terapêutica e preventiva.
Em minha experiência, junto aos colegas do Projeto de Ajuda Humanitária Psicológica (PAHP), palestras, oficinas e intervenções terapêuticas grupais, com os chamados Sociodramas Construtivistas (Moreno, 1974; Zampieri, 1996) propiciam o reprocessamento das cenas vividas nas catástrofes e nos confinamentos de abrigos. Sentimentos de culpa, de onipotência e fracasso, frente às forças das agressões vividas, podem ser reconotados por outros, positivos e saudáveis, que ajudam as pessoas a elaborar melhor seus limites e seus alcances.
Outra questão, dentro desta complexidade, são os aspectos idiossincráticos de cada um dos 33 mineiros, nos níveis: biológico, de personalidade, de traumas anteriores vividos, tratados ou não; de influência de recuperação emocional aprendidas em suas famílias, cultura e religiões; além dos aspectos espirituais, entre outros.
Que a saúde mental, em seus vários segmentos possa ser cada vez mais preventiva para evitar que pessoas moral e eticamente justas, participem de ações destruidoras de nosso bem estar comum! Uma educação para a consciência e a resiliência é um dos maiores desafios de nossa sociedade, em casos como este.
Só vejo um grande risco do entorno mundial desses 33 mineiros: o da simplificação, negação, minimização ou maximização do que seus medos internos elaborarão a partir desse “soterramento” dos “partos” da Fênix 2. Se pudermos ser um sustento emocional seguro e ponderado, onde eles não serão heróis nem vítimas; onde eles não serão levados, inconsequentemente, às alturas de gloriosos, para abandonos posteriores; poderemos ser, direta ou indiretamente, co-responsáveis por suas recuperações e crescimentos a partir desse horror vivido. Apostemos nisso!

Resgate Emocional dos Mineiros Chilenos. Somos co-responsáveis?

Gostaria de compartilhar com todos um emocionante texto de Ana Maria Fonseca Zampieri, Ph.D.: “RESGATE EMOCIONAL DOS MINEIROS CHILENOS. SOMOS CO-RESPONSÁVEIS?”.
Ela fala de trauma, dor, sofrimento... mas acima de tudo, de humanidade, esperança, futuro, cuidado e co-responsabilidade.
Espero que gostem. Vejam o Texto na Integra.

domingo, 24 de outubro de 2010

Liberdade de calar

Acabo de ler um texto de Lúcia Guimarães, publicado no Observatório da Imprensa no dia 19/10/10.

O Título do texto é: DIZER OU NÃO DIZER: Liberdade de calar

Nesse texto, a jornalista analisa as ações e consequências de como os jornalistas podem agir nas Redes Sociais da Internet. Extrapolando o contexto dos profissionais de comunicação, fico me perguntando como nos relacionar com nossa intimidade nesse ambiente de exposição virtual?

Leia o texto na integra em:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=612JDB005

domingo, 5 de setembro de 2010

Eleição x Democracia



O título desse post parece tudo, mesmo ter sentido. Mas foi exatamente o que senti ao ler o Post Esterilidade das eleições do psicanalista, escritor e colunista da Folha de S. Paulo, Contardo Calligaris.
Vale a pena ler, refletir e pensar qual poderia ser nosso efetivo papel diante desse triste quadro. Que atitudes podemos reciclar para fazer a nossa verdadeira parte nesse processo.

domingo, 15 de agosto de 2010

EMDR e o papel do clínico na avaliação da psicoterapia: rumo a uma maior integração entre ciência e pratica.

EMDR and the role of the clinician in psychotherapy evaluation: towards a more comprehensive integration of science and practice.

Fonte: J Clin Psychol. 2002 Dec;58(12):1453-63.

O EMDR é uma abordagem de psicoterapia integrativa que tem sido consistentemente considerada como eficiente no tratamento do TEPT. O modelo de processamento de informações que guia sua aplicação clínica indica que o EMDR deve ser eficaz no tratamento de outros distúrbios psicológicos que apresentam contribuintes de experiências prévias. Pesquisas são necessárias para comprovar essa aplicação. Essa edição especial traz três séries de casos nos quais o EMDR foi aplicado no tratamento de TEPT complexo, fobias e dor crônica, respectivamente. Os autores discutem a deficiência da literatura, fornecem dados preliminares do tratamento com EMDR nessas condições e oferecem orientações descritivas para a avaliação que pode ser conduzida na prática clínica. Dois artigos adicionais trazem dados preliminares dos correlatos fisiológicos e afetivo-cognitivos relacionados à mudança terapêutica. Argumenta-se que os clínicos devem desempenhar um papel mais importante na análise rigorosa e ampla de tratamentos psicológicos no contexto das exigências da prática clínica.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A realidade das verdades de uma catástrofe natural

Há algum tempo relatei aqui no Blog minha experiência participando do PAHP (Programa de Ajuda Humanitário Psicológica) em Niterói depois do desastre no Morro do Bumba.
Agora aproveito para divulgar a carta aberta de uma das grandes profissional responsáveis por esse lindo trabalho. Ela traz sua reflexão relatando a situação atual desse drama já esquecido pela mídia.

CARTA ABERTA À SOCIEDADE

A realidade das verdades de uma catástrofe natural é tão complexa quanto a trama do viver a vida.
Em Niterói, Rio de Janeiro, um morro em particular, dentre tantos, caiu nas chuvas de março deste ano. Um morro de nome Bumba, cheio de mistérios do imaginário coletivo, pois um monte de lixo que vira fundação de casas desperta em algumas pessoas a idéia de que o erro um dia aparece, de que a mentira tem pernas curtas, e enfim, que poderes divinos lavaram com a água dos céus e com o preço de várias vidas, a vergonha escondida sob uma comunidade: o lixo!
De diversos tipos metafóricos e nos programas de ajuda humanitária que fizemos em abril e junho deste ano, nós, profissionais do psicotrauma, dos sociodramas, das terapias familiares e da sexologia – interventores em crises e catástrofes, que buscamos colaborar com a resiliência das vidas destes humanos desesperançados por tantas perdas – na meta de prevenir e/ou minimizar enfermidades emocionais que a posteriori podem surgir em torno de vinte por cento dos desabrigados, encontramos a descrição cruel das dinâmicas do que são as verdades.
Uma catástrofe natural, que leva na lama filhos, pais, avós, irmãos, amigos, rivais, animais de estimação, álbuns de fotografias, fitas e DVDs históricos das famílias, documentos, drogas, armas, dinheiro, roupas, dignidade, esperança, fé, entre tantas outras perdas; tem no entorno social – como as pessoas do Bumba, por exemplo – apoio, solidariedade, roupas, alimentos, medicações, abrigos e terapias de traumas. Entre elas está o que o Rotary do Brasil e a F&Z/SP, A TFRJ, a PUC de Goiás, a Delphos do Rio vêm desenvolvendo.
Mas... a vida continua. Os desabrigados de Niterói agora vivem nos abrigos outros traumas: os do confinamento. Morar com estranhos, depois da fase do choque, traz desafios. Todavia, há revelações que as chuvas expõem e os abrigos mostram: das negligências a que nossas crianças, adolescentes e idosos são submetidos; de violências sexuais, emocionais e espirituais que ferem o sentido da dignidade humana; de vozes não ouvidas que, quando superam algum grau do medo, pedem interlocuções.
Por eles e com eles pedimos: “Socorro! Não nos esqueçam aqui, nestes abrigos! Precisamos de cuidados, da esperança de retornarmos a nossos lares, de podermos trabalhar e proteger nossas crianças! Não acabou o problema porque a mídia parou de falar na nossa tragédia! Aqui estamos: confinados, com brigas internas herdadas do morro, com adolescentes engravidando, com crianças abusadas, com idosos sem fé!”

Profª Dra. Ana Maria Fonseca Zampieri

Efeito amenizador da dor com EMDR

Pain ameliorating effect of eye movement desensitization.

Fonte: J Behav Ther Exp Psychiatry. 1994 Jun;25(2):121-9.

Este estudo explora a eficácia do EMDR no tratamento de dor aguda induzida pela exposição da mão à água gelada. Trinta participantes foram randomizados a uma das seguintes intervenções: (a) EMDR, (b) desensibilização por movimentos oculares com música - EMD/M e (c) grupo controle. A abordagem no grupo de EMDR teve como foco as experiências negativas associadas à exposição à água gelada, com geração de crenças positivas e desvio do foco, passando da dor para movimentos rápidos de luz em um monitor. O Grupo EMD/M recebeu a dessensibilização através de sua música preferida. Repetidas mensurações univariadas e multivariadas de análises de covariância foram usadas para estudar os dados. Os resultados indicaram que ambos os procedimentos aliviaram a dor em graus similares e com uma diferença significativa em relação ao grupo controle, P < 0,05.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Psicoterapia X Academia


Um dia desses, eu estava na academia pensando nos diferente motivos que levam uma pessoa a frequentá-la. Existem aqueles que são obcecados pelo corpo, os quais vão como um culto narcisista. Existem outros que vão para cuidar, melhorar ou manter a qualidade e a saúde de seu corpo. Também existem aqueles que frequentam a academia como alternativa ao ócio da nossa vida moderna. Há ainda outros que buscam o exercício físico como forma de recuperar a saúde perdida em algum incidente.

Na psicoterapia, normalmente temos aquelas pessoas que nos procurar por ajuda para enfrentar um grande problema ou dificuldade. A psicoterapia existe para isso, mas será que somente isso?? Nós, psicólogos, também enfrentamos nosso problemas e, quando isso acontece, corremos para nossas terapias. Entretanto, a maioria dos psicólogos faz terapia constantemente. Não porque temos o tempo todo coisas com as quais não conseguimos lidar, mas porque sabemos que mesmo aqueles incômodos menores podem ser resolvidos com muito mais facilidade com a ajuda de um processo psicoterapêutico do que sem ele.

Na verdade, buscar a psicoterapia quando estamos de bem com a vida é uma atitude de prevenção e crescimento, assim como quando buscamos ou nos mantemos na academia pelo prazer de nos manter em forma e nos sentir bem com nosso corpo.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Dessensibilização por Movimentos Oculares e Fibromialgia: um estudo piloto

Eye movement desensitization in fibromyalgia: a pilot study

Fonte: Complement Ther Nurs Midwifery. 2004 Nov;10(4):245-9.

A proposta deste estudo foi investigar a efetividade do EMD (protocolo antigo do EMDR) para o alívio da dor, fadiga, ansiedade e depressão em pacientes com fibromialgia. Seis mulheres brancas (idade média 43,2 anos) participaram de duas sessões de tratamento. A análise de desfechos incluiu o Questionário de Impacto de Fibromialgia, Escala de Fadiga, Inventário Beck de Ansiedade e de Depressão. As medidas de processo realizadas durante a sessão incluíram o monitoramento de biofeedback e unidades subjetivas de classificação do desconforto em termos de dor, estresse e fadiga. Quatro de seis pacientes foram considerados respondedores. O monitoramento térmico de biofeedback revelou um aumento mediano na temperatura da mão de 5,41, indicando um efeito de relaxamento. Ao término do tratamento, os escores médios sofreram redução no contexto ansiedade (28,6%), depressão (29,9%), impacto de fibromialgia (12,6%) e fadiga (11,5%). Depois de três meses de follow-up, a redução total dos escores, comparados com pré-teste, refletiram uma queda nas medidas de ansiedade (45,8%), depressão (31,6%), impacto de fibromialgia (19,2%) e fadiga (26,7%). Como o EMD produziu alguma resposta de relaxamento com participação mínima dos pacientes, pode ser especialmente útil quando as técnicas tradicionais de relaxamento falham.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

FIT2010 - De Peixes e Pássaros - Companhia Suspensa

Duração: 01:00
Classificação: Livre
Direção: Tarcísio Homem
Elenco: Lourenço Martins, Patrícia Manata e Tana Guimarães.


Sinopse:
A peça é tecida sobre imagens/pinturas de Marc Chagall e situações-memórias dos intérpretes criadores. As "paisagens" chagallianas, assim como as cenas que dividem o espetáculo, são povoadas por personagens que voam, seres que se metamorfoseiam em pássaros, peixes, e touros; homens e mulheres em festa ou luto; artistas de circo, bailarinas e músicos, configurando universos de humor e melancolia, fuga e leveza. A espacialidade do espetáculo propõe uma subversão do lugar como dado concreto, permitindo, por exemplo, que um trapézio possa ser uma porta, um balanço ou o ombro do pai.

Companhia Suspensa
A Companhia Suspensa trabalha, desde sua fundação, sob dois aspectos das artes cênicas: a dança e o circo contemporâneo. Desenvolvendo projetos de pedsquisa e interseções de linguagens do movimento, tanto na criação de performances e espetáculos quanto em projetos educativos. Entendendo a arte como um campo aberto de possibilidades, o grupo trabalha sob uma perspectiva sutil e humana: movimento, pulsões, sensações, palavras, música, silêncio, corpo e imagem fazem, do seu trabalho, construções cênicas que permitem leituras e percepções diversas.

Conheça mais sobre a Companhia Suspensa. Clique aqui!

APRESENTAÇÃO:
07/08 | sábado • 16h Teatro Dom Silvério
08/08 | domingo • 16h Teatro Dom Silvério
09/08 | segunda • 19h Teatro Dom Silvério

terça-feira, 20 de julho de 2010

EMDR: um novo tratamento para trauma e dor crônica

EMDR: a new treatment for trauma and chronic pain.

Fonte: Complement Ther Nurs Midwifery. 2000 May;6(2):91-4.

O EMDR é um novo tratamento psicológico para traumas que é capaz de facilitar uma redução rápida e permanente de pensamentos e sentimentos angustiantes (Carlson et al. 1998,Wilson et al. 1995). Além de reduzir o desconforto psicológico, o método leva a funções e atitudes mais adaptadas. A utilidade do método parece ir além do trauma, com resultados positivos relatados no tratamento de adições, fobias e dor (Henry 1996, Goldstein & Feske 1994, Grant 1986). Como um tratamento para dor, o EMDR se apresenta como um método que facilita mudanças permanentes na maneira como a dor é experimentada, somaticamente e emocionalmente. Conhecimento e compreensão dos princípios subjacentes ao EMDR podem também fornecer um guia para as intervenções mais eficazes por especialistas em dor.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Reabilitação de sobreviventes de tortura.

Rehabilitating torture survivors.

Fonte: J Rehabil Med. 2009 Sep;41(9):689-96.

Refugiados têm sido frequentemente expostos a tortura em seus países de origem. Uma questão central envolve a resultante apresentação multifacetad de problemas somáticos, psicológicos e sociais em um mesmo indivíduo, deixando severas limitações de atividade e restrições na participação. A conferencia internacional "Reabilitação de sobreviventes de tortura" (Rehabilitating Torture Survivors), foi organizada pelo Centro de Pesquisa e Reabilitação para Vítimas de Tortura (Rehabilitation and Research Centre for Torture Victims) em colaboração com o Centro de Psiquiatria Transcultural (Centre for Transcultural Psychiatry) de Rigshospitalet em Copenhague, Dinamarca, em dezembro de 2008. Os principais tópicos foram: o contexto da tortura; problemas mentais incluindo a psicoterapia; terapia pela internet e farmacoterapia; dor crônica; integração social e familiar; funcionamento e reabilitação. As evidências avaliadas dão luz sobre a importância da interdisciplinariedade para a reabilitação, mas estudos científicos rigorosos para compreender os programas de reabilitação de sobreviventes de tortura não existem. Por isso, é urgente estudar esses efeitos. Não obstante, pela combinação de diferentes áreas profissionais e científicas, elementos importantes sobre os problemas dos sobreviventes de tortura podem ser cruzadas com as evidências dos pacientes traumatizados e não traumatizados. Assim a terapia cognitivo comportamental com foco no trauma e o EMDR, bem como reabilitação interdisciplinar da dor, devem ser componentes para o sucesso do processo de reabilitação além de e uma grande atenção aos componentes contextuais.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

EMDR no tratamento da dor crônica

EMDR in the treatment of chronic pain.

Fonte: J Clin Psychol. 2002 Dec;58(12):1505-20.

A dor crônica é um desafio clínico persistente e significativo. Os estudos que examinaram técnicas psicoterapêuticas comuns sugerem que os resultados nem sempre se mantem, e que a dor muitas vezes não é aliviada. Explorações de novos métodos mais efetivos são necessárias. Este artigo descreve uma aplicação de EMDR, desenvolvido para melhorar o enfrentamento e reduzir o sofrimento e a dor crônica. A efetividade do protocolo de EMDR para dor crônica foi investigada em três adultos que sofriam de dor crônica. A efetividade da intervenção foi medida ao início, durante e após a intervenção, com um seguimento de dois meses. Todos os clientes reportaram uma queda substancial nos níveis de dor, no afeto negativo e aumento da habilidade de controlar a dor depois do tratamento. Esses resultados mostram que o EMDR pode ser eficaz no tratamento de dor crônica e que novas pesquisas são necessárias.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Apagar memórias traumáticas?


A Revista Galileu de Junho de 2010 traz a reportagem Uma cura para todos os medos. Nela, o que me chamou mais atenção foram duas diferentes perspectivas de tratamento. Uma delas seria uma droga que aplicada logo após o evento traumático, preveniria que ele se tornasse um trauma psíquico ao potencializar a plasticidade cerebral. A outra, já mais questionável, seria de uma droga capaz de apagar da memória o evento traumático. A reportagem discute muito os riscos envolvidos ao se apagar uma memória ou um medo, usando inclusive o exemplo do filme "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças" ondem os personagens, ao apagar seus erros, teimam por repeti-los. Pensando assim, será que é melhor esquecer um sequestro e não aprender a se prevenir, do que lembrar e ser capaz de tomar mais cuidado?

Sei que trago a questão de uma forma bem superficial, mas de qualquer forma, a revista já a abordou de maneira melhor (pena que o texto na integra ainda está disponível apenas para assinantes). Por isso mesmo pretendo discutir outra perspectiva não abordada na reportagem.

No trabalho com EMDR, fico encantado com o quanto, ao reprocessarem o trauma, as pessoas aprendem com as dificuldades que viveram. Pensando dessa forma, 'apagar' o medo seria perder essa possibilidade. É claro que se pensarmos nos tratamentos convencionais, o tempo para se obter esse resultado pode ser longo demais, e o custo (tempo de sofrimento até o fim do tratamento) pode não valer a pena. Mas se pensarmos que hoje temos o EMDR como um grande aliado nesse trabalho, para que continuar sofrendo?

EMDR no tratamento de dor cronica em membro fantasma.

EMDR in the treatment of chronic phantom limb pain.

Fonte: Pain Med. 2008 Jan-Feb;9(1):76-82.

OBJETIVO: Poucas pesquisas confirmam ganhos a longo prazo no tratamento da dor do membro fantasma. Este estudo descreve e avalia o EMDR no tratamento com longo seguimento. METODOLOGIA: série de casos de pacientes com dor em membro fantasma. CONTEXTO. Pacientes hospitalizados e pacientes em tratamento particular. PACIENTES: estudo de caso de cinco pacientes com dor em membro fantasma, com idade de 1 a 16 anos. Todos os pacientes haviam feito uso de diversos medicamentos antes do EMDR. INTERVENÇÃO: Três a 15 sessões de EMDR foram usadas para tratar a dor e suas ramificações psicológicas. MEDIDAS DE DESFECHO: os pacientes foram avaliados pela continuidade do uso da medicação, intensidade e frequência da dor, trauma psicológico e depressão. RESULTADOS: o EMDR resultou em uma significativa queda da dor ou sua remissão, redução da depressão e de sintomas de TEPT para níveis subclínicos, além de uma significativa redução ou eliminação do emprego de medicamentos relativos à dor fantasma e nociceptiva a longo. CONCLUSÕES: uma visão geral e o follow-up a longo prazo indicam que o EMDR foi bem sucedido no tratamento tanto da dor em membro fantasma quantod consequências psicológicas da amputação. Neste ultimo, inclui-se questões de perda da personalidade, luto, auto-imagem e ajustamento social. Os resultados sugerem que (1) um significativo aspecto da dor de membro fantasma é a memória fisiológica da dor nociceptiva experimentada no momento do evento, e (2) essas memórias podem ser reprocessadas com sucesso. Futuras pesquisas são necessárias para explorar as implicações teóricas e terapêuticas dessa abordagem.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Tratamento de Homossexuais Masculinos com Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) causado por ostracismo social e ridicularização:

Abordados com terapia cognitivo comportamental ou EMDR

Treatment of gay men for post-traumatic stress disorder resulting from social ostracism and ridicule: cognitive behavior therapy and eye movement desensitization and reprocessing approaches.

Fonte: Arch Sex Behav. 2008 Apr;37(2):305-16. Epub 2007 Aug 3.


Este estudo descreve o tratamento cínico de uma amostra de quatro homossexuais masculinos que sofriam de TEPT atribuído a repetidas experiências de ridicularização e ostracismo social, durante a infância e adolescência, devido a seu comportamento e aparência diferentes. Todos os homens na amostra apresentavam em comum as seguintes características: (1) infância com história de ridicularização e ostracismo social, tanto por pares quanto por adultos, focados em sua diferente apresentação c objetivo de levar à concordância com as normas aceitas; (2) a falta de redes de apoio social para os ajudar a lidar com esse estresse; (3) formas auto-destrutivas de reagir, iniciadas na infância e que continuaram até a fase adulta, na tentativa de diminuir a experiência da vergonha; e (4) sintomas de TEPT. Os modelos de tratamento utilizados e discutidos foram a terapia cognitivo comportamental e o EMDR.

domingo, 27 de junho de 2010

Recicle Atitudes

O tempo todo em nossas vidas repetimos determinadas atitudes. Muitas vezes isso resolve nossos problemas, mas as vezes também nos faz arrastar determinadas dificuldades, agindo de uma forma conservada ou congelada, mantendo no presente situações passadas.

Mesmo quando essa repetição nos soluciona alguma coisa, será que não poderíamos resolver aquilo de uma forma melhor? Afinal de contas, a cada dia carregamos um pouco mais de bagagem do que no dia anterior, e porque não usar esses novos conhecimentos para construir atitudes cada vez melhores?

Pensando sobre isso, um grupo de pessoas muito 'espirituosas', do qual me orgulho em fazer parte, desenvolveu uma pequena ideia, mas que está sendo colocada em prática. E acredito que esse seja o grande convite, refletir e colocar em prática.

Então segue Aqui o Convite:

"É nossa responsabilidade Reciclar nossas Atitudes para melhorar a Sociedade e o Mundo.

Essa mudança começa em nossas pequenas ações do dia a dia.

Que Atitude você pode fazer para estar melhor com as pessoas a sua volta?"


Compartilhe como conosco suas reflexões através do site:
http://recicleatitudes.gabarra.org/


Veja o que as pessoas estão reciclando em suas vidas no:
http://twitter.com/recicleatitudes
ou
http://www.google.com/profiles/recicleatitudes

Pelo Twitter ou Buzz você também pode deixar seu recado colocando a hashtag #recicleatitudes no final de seu tweet ou post.

Mas acima de tudo, coloque em prática no seu dia a dia.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Tribuna do Norte divulga matéria sobre EMDR

Terapia EMDR ajuda a curar vítimas de traumas. Este foi o título da matéria publicada em 13 de Junho de 2010 pelo jornal Tribuna do Norte de Natal.
Vale a pena conferir.
http://tribunadonorte.com.br/noticia/terapia-emdr-ajuda-a-curar-vitimas-de-traumas/151108

domingo, 16 de maio de 2010

Programa de Ajuda Humanitária Psicológica em Niterói

Nos dias 1° e 2 de maio, estive em Niterói participando do Programa de Ajuda Humanitária Psicológica. Já escrevi sobre esse trabalho em outro momento aqui no blog, mas estar lá, conhecendo as metodologias de trabalho em grupo focadas em catástrofes e, principalmente, estar em contato direto com as vítimas foi realmente um oportunidade única. Além das vítimas que perderam suas casas e estão nos abrigos onde realizamos o trabalho, o próprio treinamento foi uma grande intervenção, já que a maioria dos profissionais voluntários eram de Niterói e do Rio. É claro que em menor grau, mas todos sofreram com os acontecimentos e estavam ávidos por ajuda e em ajudar. Muitos deles, inclusive, já estavam atuando e compartilharam o quanto essas novas ferramentas potencializarão e ajudarão a sistematizar o trabalho. Entretanto, o que ficou de mais forte para mim foi a seguinte pergunta: "Estou aqui ajudando em Niterói, mas o que tenho realmente feito sobre esse assunto em minha cidade?" É claro que pretendo voltar a outros lugares que necessitem de apoio. E ainda bem que aqui em Belo Horizonte não tivemos catástrofes daquelas proporções. Mas em vários momentos tivemos problemas que mereciam uma atenção especial. Então, que tal fazer alguma coisa?

sexta-feira, 14 de maio de 2010

A Psicoterapia como Homeostase Assistida: a ativação do processamento emocionail mediado pelo giro do cingulo anterior

Psychotherapy as assisted homeostasis: activation of emotional processing mediated by the anterior cingulate cortex

F.M. Corrigan

Fonte: http://intl.elsevierhealth.com/journals/mehy

Embora a psicoterapia tenha sucesso na alteração do distresse emocional, o mecanismo biológico pelo qual isto é alcançado não é objeto de intensa investigação neurobiológica. O processo de transformação consciente das emoções foi proposto [Mindfulness-Based Cognitive Therapy for Depression, The Guilford Press, New York, 2002] como fator chave para a prevenção da recaída da depressão e aqui essa hipótese é desenvolvida e estendida para outras condições nas quais o processamento das emoções parece estar obstruído ou desregulado. A Terapia Cognitiva, Psicoterapia Interpessoal, Psicoterapia Psicodinâmica, e a terapia comportamental dialética, de diferentes maneiras e ênfases, encorajam a tomada de conciência das emoções e seus fatores cognitivos e biográficos associados, e seu sucesso depdende do grau de ativação de processos internos de cura. No EMDR o alvo selecionado é trabalhado por processos endógenos que são facilitados e acelerados pelos movimentos dos olhos, estimulação auditiva ou tátil bilateral. A capacidade de se manter a atenção centrada no afeto e seus componentes viscerais, cognitivos e biográficos é tida como fator ativador de processos homeostáticos para resolução do distresse, o que é visto mais claramente no tratamento do TEPT com EMDR, na qual essa resolução pode ser intensa e rápida, enquanto a intervenção do psicoterapeuta é não-direcionada, embora de apoio e empatia, mas não de julgamento. Uma vez que o terapeuta tenha ajudado a formular as questões, o cérebro do paciente vai encontrando as resposta que precisa para resolver o distresse e todos os componentes do evento traumático, viscerais, cognitivos, afetivos ou interpessoais. O giro do cingulo anterior, especialmente os componentes dorsal e rostral, parece ser a chave neurobiológica para a eficácia da psicoterapia de alívio do distresse. Resumimos os relevantes estudos de neuroimagem funcional. Uma limitação dos primeiros estudos sobre emoção é que eles tenteram a empregar estímulos suaves para emoções discretas. Uma abordagem alternativa seria usar imagens cerebrais durante o reprocessamento de um evento desagrável que tem afetado profundamente a pessoa de modo a intensidade emocional associada poderia ser claramente nomeada e correlacionada a alterações no funcionamento cerebral.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Tratamento de dor idiopática facial após a colocação de implante

Treatment of idiopathic facial pain following implant placement

fonte: Ned Tijdschr Tandheelkd. 2010 Feb;117(2):75-8.

Mulher de 39 anos sofrendo de dor facial atípica crônica e queixas associadas a transtorno de estresse pós traumático. A dor se originou após uma remoção cirúrgica de uma raiz dentária residual em sítio de implante dentário e os sintomas de estresse começaram em consequência da dor. Eventualmente, esses problemas levaram a demissão no trabalho e a problemas familiares. Ela era incapaz de ir ao dentista para um exame periódico oral devido ao medo extremo. Tratamento farmacológico, acupuntura, homeopatia e hipnoterapia não melhoraram sua condição. Um tratamento que visou lidar com as memórias do tratamento oral usando do EMDR levou finalmente à resolução dos sintomas. Este estudo de caso demostra como um problema oral pode comprometer a vida do paciente e como a psicoterapia pode complementar o tratamento médico.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

AJUDA HUMANITÁRIA PSICOLÓGICA: PREVENÇÃO DE TRAUMAS DE VÍTIMAS DA CATÁSTROFE DE NITERÓI 2010

Divulgando um Lindo Trabalho



AJUDA HUMANITÁRIA PSICOLÓGICA: PREVENÇÃO DE TRAUMAS DE VÍTIMAS DA CATÁSTROFE DE NITERÓI 2010

Uma equipe de vinte psicólogos treinados em ESTRATÉGIAS GRUPAIS EM CATÁSTROFES PARA PREVENÇÃO DE ESTRESSES PÓS-TRAUMÁTICOS e mais cinco empresários e profissionais voluntários de São Paulo, Brasília, Blumenau, Goiânia e Rio de Janeiro, estará em Niterói, de 30 de abril a 2 de maio deste ano, para atender as vítimas da catástrofe ocorrida.

A iniciativa é fruto de parceiros entre as propostas técnicas e cientificas da F&Z Assessoria e Desenvolvimento em Educação e Saúde de São Paulo e toda a organização logística do Rotary Internacional de: Butantã, São Paulo; Alphaville, São Paulo; República, São Paulo e de Penha de Santa Catarina.

Este PROGRAMA DE AJUDA HUMANITÁRIA PSICOLÓGICA às vitimas de catástrofes, tem recebido parcerias da FIESC, do SESI e da FAB, além das Secretarias de Saúde de Guaraciaba, de Blumenau, de Ilhota e Gaspar em Santa Catarina e de São Luiz, Rosário, Trizidela e Pedreiras no Maranhão. Desta vez temos algumas parcerias de Universidade Federal Fluminense, do Grupo Tendas, do Delphos do Rio de Janeiro e da Associação de terapia familiar do Rio de Janeiro e da FEBRAP.Este é o sétimo Programa de Ajuda Humanitária psicológica que este grupo desenvolve desde 2008. Cerca de 4.200 pessoas já foram favorecidas com este trabalho.

Na catástrofe de Niterói ocorrida em 2010, as Secretarias de Saúde, junto à Defesa Civil, tomaram as providencias necessárias com os primeiros socorros, atendimentos e encaminhamentos desta situação de calamidade pública. Todavia, há seqüelas aparentemente invisíveis, que podem se sobrepor ao tempo, às novas moradias e reorganizações sociais, que são as marcas dos traumas que este tipo de catástrofe pode gerar, e que terão, neste Programa de Ajuda Humanitária Psicológica, uma prevenção primária para o que se denomina de Transtornos de Estresses Pós-Traumáticos – TEPT. Depois de quatro meses a até quatro anos, podem surgir sintomas de TEPT em crianças, adolescentes, adultos e idosos; traduzidos em dificuldades de aprendizagem e concentração; problemas nas áreas do sono e da alimentação; quadros de pânico e de depressão; uso abusivo de álcool e de drogas; atitudes de perda de fé e esperança na vida, idéias e tentativas de suicídio entre outros quadros psicológicos e psiquiátricos.

O Programa de Ajuda Humanitária, coordenado pela Prof.ª Dra. Ana Maria Fonseca Zampieri no que tange ao corpo científico, e pelo Sr. Reinaldo Franco, pela Srª rotariana Dulce Fiedler, a psicóloga Lilian Tostes do Delphos do Rio de Janeiro, Cristiana Weber da Associação de Terapia Familiar ao Rio de Janeiro e Dr. Jairo Werner da Universidade Federal Fluminense no corpo de logística; tem em seu grupo profissional, psicólogos, médicos e especialistas, mestres, doutores e pós-doutores, com formação em Sociodrama Construtivista de Reconstrução em Catástrofes, Debriefing, Manual Grupal Integrativo, EMDR e Terapia Familiar Sistêmica. Juntos atendem grupos específicos de crianças, adolescentes, adultos e idosos, além de bombeiros, militares e médicos do SAMU. As intervenções, com planejamento estratégico piramidal, começam com atendimentos em grupos pequenos, que favorecem a triagem para as pessoas mais afetadas, que receberão atendimentos individuais. Estas ESTRATÉGIAS GRUPAIS EM CATÁSTROFES PARA PREVENÇÃO DE ESTRESSES PÓS-TRAUMÁTICOS foram chamadas pela mídia de Blumenau, em 2009 de: ABRIGOS PARA ALMAS e inclui o treinamento de 20 horas, para psicólogos, da rede pública e do grupo de voluntariado rotariano, para a manutenção dos atendimentos à população. Já foram capacitados 39 profissionais em Santa Catarina/ Blumenau; 39 de Guaraciaba, 19 no Maranhão e agora há 40 inscritos em Niterói.

Haverá psicoeducação, com folhetos de primeiros socorros emocionais distribuídos na mídia, em escolas, no CRAS de Niterói.

Dia 2/05/10, das 14 às 16h, acontecerá o SOCIODRAMA CONSTRUTIVISTA DAS VOZES DAS VÍTIMAS DE NITERÓI, uma vivência psicoeducativa com palestras, aberta à comunidade em geral. Será na UFF de Niterói.



terça-feira, 20 de abril de 2010

Componentes Neurofisiológicos do tratamento com EMDR

Neurophysiological ccomponentes of EMDR treatment

Isabel Fernandez, Roger M. Solomon,

Fonte: http://www.psicotraumatologia.com/pdf/neuroemdr.pdf

As pesquisas em EMDR apresentaram desenvolvimento significativo nos últimos 10 anos. O EMDR consiste em uma atividade de focalização dual (o uso de movimentos oculares ou outras estimulações rítmicas direita/esquerda, durante o foco em material traumático pessoal). Muitas hipóteses foram levantadas para explicar o funcionamento do EMDR e o porque de os resultados clínicos serem significativos. Uma das razões mais prováveis diz respeito ao fato de que parece existir um sistema inato de processamento de informações que é fisiologicamente configurado para facilitar a saúde mental, da mesma forma que o restante do organismo é delineado para curar a si mesmo quando lesado. Quando em funcionamento adequado, esse sistema transforma a informação perceptiva e emocional de um evento traumático em uma resolução adaptativa - informações úteis são armazenadas com afeto apropriado e permanece disponível para uso futuro. O despertar fisiológico e emocional derivado de um evento traumático pode distorcer os mecanismos de processamento da informação. O bloqueio do processamento impede a integração adaptativa por meio das vias noramais. O estímulo fisiológico parece ativar o sistema inato de processamento e pode estar relacionado aos mecanismos inerentes do armazenamento das memórias. O EMDR aparentemente intervém nas funções cerebrais, especialmente no sistema límbico e na amígdala, que já foram identificadas como regiões envolvidas nas experiências traumáticas.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Correlato fisiológico para o EMDR

Physiological correlates of eye movement desensitization and reprocessing

Ulf O.E. Elofsson, Bo von Sche`ele, To¨res Theorell, Hans Peter So¨ndergaard

Fonte: Journal of Anxiety Disorders 22 (2008) 622–634

O EMDR é um tratamento estabelecido para o transtorno de estresse pós-traumático (PTSD). Mesmo assim, seu mecanismo de funcionamento não é claro. Este estudo explorou os correlatos fisiológicos dos movimentos oculares, durante o EMDR, em relação às hipóteses atuais; distração, condicionamento, ativação de resposta orientada e mecanismo semelhante ao do sono REM. Durante a terapia de EMDR foram medidos: temperatura da ponta dos dedos, frequencia cardiaca, condutância da pele, nível de carbono expirado, saturação de oxigênio em oximetria de pulso, em homens com PTSD. A relação entre a alta e baixa frequência cardíaca (LF/HF) foram mensuradas como medida de balanço autonômico. A frequência respiratória foi calculada a partir dos traços de dióxido de carbono. A estimulação levou a mudanças no balanço autonômico, indicadas por queda da frequência cardíaca, condutância da pele e relação LF/HF, e aumento da temperatura de ponta do dedo. A frequência respiratória e a pressão expiratória final de dióxido de carbono aumentaram; a saturação de oxigênio decaiu durante a os movimentos oculares. Concluímos que os movimentos oculares durante o EMDR ativam sistema colinérgico e inibem o simpático. A reatividade foi similar com os parâmetros do sono REM.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Chimamanda Adichie: O perigo da história única

Vale Refletir como lidamos com as histórias únicas em nossas vidas!!!

Para Ativar a legenda clique em "View subtitles" e escolha o idioma.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Potenciais relacionados a eventos (ERPs) e tratamento com EMDR pra Transtorno de Estresse Pós Traumático

Event-related potentials and EMDR treatment of post-traumatic stress disorder

Fonte: Neuroscience Research 49 (2004) 267–272

Friedhelm Lamprecht, Christine Köhnke, Wolfgang Lempa, Martin Sack, Mike Matzke, Thomas F. Münte,

Dez pacientes sofrendo de Transtorno de Estresse Pós Traumático (PTSD) após um evento traumático grave foram avaliados por potenciais relacionados a eventos (ERPs) em um paradigma contendo padrões auditivos, alvos e novos tons. ERPs foram avaliados antes e depois de sessões de tratamento usando o EMDR. Comparado a um grupo controle que passou por um falso tratamento, os ERPs dos pacientes mostram uma redução no componente P3a nos registros pós-tratamento, sugerindo uma redução orientada para novos estimulos e reduzindo os níveis de excitação depois do tratamento. Além disso, uma avaliação psicométrica revelou a melhora dos sintomas de PTSD depois do tratamento.

BBB e comportamento humano???

Recebi o texto abaixo como sendo do Luiz Fernando Veríssimo.

sabe que sempre desconfio da autoria desses textos que circulam pela internet, mas tb não encontrei outra referencia para confirmar ou negar isso.

Independentemente, no geral eu gostei da reflexão que o texto coloca.



"Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A décima (está indo longe) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB 10 é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB 10 é a realidade em busca do IBOPE.
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB 10. Ele prometeu um “zoológico humano divertido”. Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Se entendi corretamente as apresentações, são 15 os “animais” do “zoológico”: o judeu tarado, o gay afeminado, a dentista gostosa, o negro com suingue, a nerd tímida, a gostosa com bundão, a “não sou piranha mas não sou santa”, o modelo Mr. Maringá, a lésbica convicta, a DJ intelectual, o carioca marrento, o maquiador drag-queen e a PM que gosta de apanhar (essa é para acabar!!!).
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis?
Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores) , carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados. .
Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo santo dia.
Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.
Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).
Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino
de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$ $$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?
(Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores)
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.
Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade."

quarta-feira, 17 de março de 2010

O que os Teste Psicológicos e os exames de neuroimagem nos dizem sobre o tratamento do transtorno de estresse pós-traumático com EMDR

What Psychological Testing and Neuroimaging Tell Us about the Treatment of Posttraumatic Stress Disorder by Eye Movement Desensitization and Reprocessing

Patti Levin, licsw, Steven Lazrove, Bessel van der Kolk,

Fonte: Journal of Anxiety Disorders, Vol. 13, No. 1–2, pp. 159–172, 1999


Para melhor entender a patologia fisiológica e o tratamento do transtorno de estresse pós-traumático (PTSD), testes psicológicos padrão, teste de Rorschach e neuroimagem usandoTomografia Computadorizada por Emissão de Fótons Únicos (SPECT), foram realizados em indivíduos com PTSD, antes e depois de três sessões de EMDR. Usamos um plano de comparação do paciente com ele mesmo, dados de um de seis sujeitos da nossa série é apresentado na forma de relato de caso. Após o EMDR, o paciente apresentou melhora no nível de sofrimento, o que se correlacionou a diminuição dos sintomas de PTSD e depressão, ao teste psicológico. A análise do Rorschach corrobora essas mudanças. Entre os outros achados, o índice de hipervigilância modificou de positivo para negativo, indicando que o paciente passava menor período de tempo tempo na busca de ameaças ambientais, além de melhoria dos recursos do ego, mensurado pela variável de Experiência Real. O exame de SPECT, realizado durante a lembrança do evento traumático, mostrou que duas áreas do cérebro estavam hiperativas após o tratamento com EMDR se comparado com antes do tratamento: o giro cingulado anterior e o lobo frontal esquerdo. Esta mudança foi consistente nos dados dos seis sujeitos de nosso estudo. Uma importante implicação desses achados é que o tratamento efetivo para PTSD não reduz a estimulação dos níveis limbicos, mas aumenta a capacidade de diferenciação da ameaça real da imaginária. A Psicologia e a Neurofisiologia é discutida em maiores detalhes.

sábado, 13 de março de 2010

A densidade da substância cinzenta no córtex límbico e paralímbico está associado ao impacto do trauma e os resultados obtidos com o EMDR em pacientes

Gray matter density in limbic and paralimbic cortices is associated with trauma load and EMDR outcome in PTSD patients

Davide Nardo, Göran Högberg, Jeffrey Chee Leong Looi, Stig Larssond, Tore Hällströmb, Marco Pagani,
Fonte: Journal of Psychiatric Research (2009), doi:10.1016/j.jpsychires.2009.10.014


Existem evidências crescentes da existência de alterações estruturais da substância cinzenta (SC), em diferentes estruturas límbicas, em pacientes com Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). O objetivo deste estudo foi avaliar a densidade da SC no PTSD em relação ao impacto do trauma e avaliar se diferenças na SC entre os que respondem (R) ou não (NR) à terapia com EMDR. Foram realizadas imagens de resonacia magnética em 21 sujeitos expostos a traumas ocupacionais que desenvolveram PTSD (S) e outros 22 que não desenvolveram (NS). Essas imagens foram comparadas por meio de análise de morfometria otimizada baseada em voxels (VBM), conforme implementada pelo SPM (Statistical Parametric Mapping). No grupo S as comparações foram entre 10 R e 5 NR. A análise de regressão entre a densidade da SC e o questionário de antecedentes traumáticos (TAQ), foram feitos em todos os 43 sujeitos. Os resultados nos mostram uma significativa redução aa densidade de SC no grupo S se comparado com o grupo NS no cingulo posterior esquerdo e no giro parahipocampal posterior esquerdo. Além disso, o grupo NR mostrou densidade significativamente menor da SC se comparado com o grupo R, no cingulo posterior bilateral, também na região insular anterior, no griro parahipocampal anterior e na amígdala do hemisfério direito. A análise de regressão mostra que a densidade da SC tem correlação negativa ao impacto do trauma, no cingulo posterior bilateral, na região insular anterior esquerda e no griro parahipocampal anterior direito. Concluímos que uma menor densidade da SC no córtex límbico e paralímbico está associada ao disgnóstico de TEPT, ao impacto do trauma e ao resultado do tratamento por EMDR, sugerindo a hipótese de que o TEPT se caracteriza por distúrbios de memória e dissociativos.

terça-feira, 9 de março de 2010

Pesquisa em Psicologia

Postei no meu Blog de EMDR um texto de uma Americana falando das pesquisas sobre EMDR no campo da Mastologia, mais especificamente em relação a dor fantasma após mastectomia. Na verdade, o texto é um convite para mulheres que gostariam de se submeter ao tratamento enquanto pesquisa. Sempre fico encantado com incitativas desse tipo: a possibilidade de estudarmos cientificamente os processos e resultados da psicologia. Também, como dizemos na UFSCar "aqui, antes de psicólogos, formamos pesquisadores"; não tenho como negar minhas origens!!!
Durante minha formação em Psicodrama essas iniciativas sempre me fortaleciam, mesmo porque o Psicodrama não é muito difundido nos cursos de Psicologia. Mas as pessoas que conseguiram espaço na academia para dissertações e teses com o Psicodrama sempre me fazem acreditar que, apesar da dificuldade, fazer ciência é fundamental. Hoje, me dedicando também ao EMDR, vejo o quanto o estudo acadêmico pode fortalecer essa magnífica ferramenta dentro do Brasil. Eu mesmo acho que não teria feito a formação se não tivesse encontrado inúmeros artigos com seus bons resultados.
Infelizmente, na psicologia, lemos muito pouco outras línguas, acredito que ainda fazemos muito pouca pesquisa, o que nos limita. A "preguiça" de ler inglês eu já venci, agora me falta o mestrado.
Hoje sonho com ele em EMDR pela possibilidade de mostrar os resultados da psicologia para fora dos muros "Psi", pois a clareza do procedimento facilita em muito o diálogo com outras áreas como a medicina. Espero que cada dia mais a psicologia consiga vencer suas barreiras e atravessar os campos do saber, mostrando seus resultados e sua eficiência. E espero que eu mesmo posso fazer uma carta convite para interessados em ser sujeitos na minha dissertação de mestrado. Mas até lá, continuo com meu trabalho, ajudando, a cada dia mais e melhor, as pessoas que me procuram.

EMDR: O suposto mecanismo de ação neurobiológico.

Por: Robert Stickgold
Department of Psychiatry, Harvard Medical School

Fonte: JOURNAL OF CLINICAL PSYCHOLOGY, Vol. 58(1), 61–75 (2002)


Numerosos estudos tem demostrado evidencias sobre a eficácia da terapia de dessensibilização e reprocessamento por movimentos oculares (EMDR) no tratamento do transtorno de estresse pós-traumático (PTSD), incluindo estudos recentes que demonstram ser mais efetivo do que a terapia direcionada. Mas poucas explicações teóricas foram oferecidas sobre como o EMDR realmente funciona. Shapiro, em sua descrição original do EMDR, propôs que o movimento direcionado dos olhos imita o efeito do período do sono de movimentos rápidos dos olhos (REM), mas não fica claro a explicação de como essa imitação promove o resultado clínico. Agora nós revisamos sua proposta original e apresentamos um modelo completo de como o EMDR pode levar a resultados específicos no PTSD e condições relacionadas. Nós propomos que o redirecionamento repetitivo da atenção no EMDR induz ao um estado neurobiológico, similar ao sono REM, o qual se configura a melhor forma para dar suporte à integração cortical das memórias do trauma em redes semânticas gerais. Nós sugerimos que essa integração pode levar a uma redução da força dos episódios de lembrança dos eventos traumáticos, mediados pelo hipocampo, bem como do afeto negativo amígdala-dependente. Dados experimentais que apoiam esse modelo são revisados e possíveis testes para o modelo são propostos.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Quanto Vale ou é por quilo?


Quem assistiu "Cronicamente Inviável", dirigido por Sérgio Bianchi, nem se espanta tanto assim com o filme "Quanto Vale ou é por Quilo?", do mesmo diretor.
A forma ácida de denunciar a realidade através da ficção, é tratada com tamanho cuidado que o resultado é uma suposta história tão real quanto tantas que existem em nosso país. O olhar crítico e cético nos faz ver um ser humano completamente sem caráter ou escrúpulos.
Por mais que eu acredite no ser humano, e já tenha defendido isso em outros textos, não posso fechar os olhos e dizer que o que Sérgio Bianchi nos apresenta não faz parte de nossa realidade. Mas como bom otimista, penso na importância de trabalhos com esse que nos deixam atentos, capazes e críticos para as reais propostas de comprometimento, revendo nossas posturas e fortalecendo a construção de ações que modifiquem o pequeno universo ao nosso redor, a fim de contribuir para um bem maior.

Assista o filme na integra.

CHEMOTION e EMDR

Um protocolo de EMDR, baseado no modelo psicodinâmico para o tratamento de dependência química.

y JOHN OMAHA, M.A.+

Fonte: http://www.johnomahaenterprises.com/Omaha_1998_Chemotion_EMDR.pdf

A dependência química é um dos problemas que mais cresce e preocupa nas sociedades ocidentais. Ela representa o uso obsessivo e compulsivo de substâncias legais e ilegais, que não é afetado pelas conseqüências adversas do seu consumo e que se caracteriza adicionalmente por negação da relação entre consequências e consumo, pela tolerância à substância e por sintomas de abstinência na ausência da mesma. Para o objetivo deste texto, entendemos como substâncias legais e ilegais o álcool, tabaco, maconha, cocaína, metanfetamina, opiácios, alucinógenos e medicações prescritas.

Os dois atuais modelos mais importantes para entender e tratar a chemical dependência é o modelo de enfermidade (American Medical Association, 1973; Jellinek, 1960; Wallace, 1975) e o modelo de automedicação (Flores, 1988; Khantzian, 1982; Krystal, 1982; Wurmser, 1978).

segunda-feira, 1 de março de 2010

O EMDR* é uma tábua de salvação?

Outro dia falei da medicação como tábua de salvação. Isso me fez pensar o quanto algumas pessoas encaram o EMDR dessa mesma forma. Por mais rápido e significativo que sejam os resultados do tratamento, ele demanda uma participação e envolvimento muito grande por parte do Cliente. A intensidade das emoções e sentimentos que surgem durante o reprocessamento, muitas vezes são tão intensas quanto no trauma original. A grande vantagem de reexperimentá-las, com o auxílio da estimulação, é o resultado de cessação do estresse e a resolução do conflito entre emoções, sensações, sentimentos e razão.
Buscar o EMDR achando que basta pensar em seus problemas e seguir a estimulação, assim como alguns vídeos do Youtube pregam, é tão equivocado quanto pensar que basta tomar a pílula da felicidade e seus problemas estão resolvidos (isso soou meio Tabajara!!).
O trabalho terapêutico, seja com o auxílio do EMDR, da medicação ou de qualquer outra técnica, só terá resultados efetivos a partir da reorganização dos sentimentos e estratégias de enfrentamento das situações, desencadeando efetiva mudança de comportamento. Afinal de contas, não adianta aguardarmos que o outro (que nos perturba) mude seu comportamento, isso depende dele. O que podemos mudar é nossa forma de encarar a situação e como respondemos a essa pessoa. Este é um convite para buscarmos a felicidade em nós, tendo o outro ao nosso lado, mas jamais como responsável pela nossa felicidade.

* Eye Movement Desensitization and Reprocessing ou Desensibilização e Reprocessamento por Movimento Oculares

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Publicado Originalmente em: http://daniel.gabarra.org

Por: Rosângela Regiani
Psicóloga com especialização em Gestão de Pessoas, formação em Psicologia Tranpessoal, Psicodrama,MBA em Recursos Humanos e Terapeuta de EMDR
Palestina-SP/Brasil

Sou funcionária pública municipal e em maio de 2009 passei a cumprir minha carga horária de trabalho exclusivamente no SUS. Quando pensamos em SUS... logo vem o pensamento: ”demora em atendimento”! Mesmo morando em uma cidade de dez mil habitantes do interior de São Paulo, aqui em Palestina não é diferente das grandes cidades! Confesso que, no inicio, me incomodou muito o fato de ter tantas pessoas procurando o atendimento psicológico e não ter vaga disponível. Essas pessoas sempre acabavam na lista de espera, até que surgisse uma oportunidade para fazer a terapia.

Eu me sentia de pés e mãos atadas, porque na maioria eram casos de trauma com T maiúsculo (como dizemos no EMDR), seguidos de depressão!

Em uma conversa informal com o Coordenador do Departamento de Saúde, propus a ele que, durante duas horas por semana, faria uma triagem com essas pessoas que procuravam ajuda, para ouvi-las e orientá-las e, caso necessário, faria o encaminhamento para a psiquiatria no Hospital de Base de São José do Rio Preto, pois aqui não temos médico com essa especialidade. Enquanto os pacientes permanecem na lista de espera para a psicoterapia, já estariam adequadamente medicados e conseqüentemente com os sintomas da depressão mais suportáveis e prontos para fazer o tratamento, e assim foi feito. Nessa triagem, em dia previamente agendado, eu converso com eles e, se necessário, aplico o teste Escala Beck e em casos de crianças ou adolescentes aplico o teste ESI - Escala de Stress Infantil e também faço entrevista com a mãe. A lista de espera foi dividida em categorias: pacientes encaminhados para psiquiatria, crianças e adolescente, adultos e conselho tutelar, este último relacionado a atendimento psicológico para crianças e adolescentes atendidas por essa entidade. Quando surge uma vaga, dou prioridade aos casos mais graves para preenchê-la.

As sessões de terapia primeiramente eram realizadas uma vez por semana. Como a fila de SUS não parava de crescer, acreditei que se eu atendesse o paciente duas vezes na semana, ele teria acesso mais rápido ao seu conteúdo interno, minimizando seu sofrimento, e esperaria menos tempo pelo atendimento, de forma que a lista de espera teria uma maior rotatividade.

Aplico o protocolo de EMDR em sessões de quarenta e cinco a cinqüenta minutos, dividas em etapas; nas duas primeiras sessões faço a história clínica, preparação do cliente e a avaliação. Já aconteceu de usar mais de uma sessão para terminar esta fase, pois a clientela de SUS geralmente é composta por pessoas com baixo nível sociocultural e só depois inicio a fase de dessensibilização trabalhando com sessões incompletas.

Fiz uma experiência inicial com quatro pacientes, ambos com depressão grave, ansiedade grave, pessimismo grave. Dois com tentativa de suicídio e dois com pensamentos suicidas. Ofereci vinte e duas sessões, na frequência de duas vezes por semana. Antes de iniciar o tratamento, o paciente assina, além do contrato terapêutico, um termo onde ressalta que serão permitidas apenas quatro faltas, justificadas ou não.

Um paciente desistiu do tratamento. Entre os que permaneceram, pude perceber que apresentaram significativas melhoras e já na oitava sessão relatavam as mudanças e diziam que os familiares percebiam essa melhora; chegavam mais animados para terapia, sem contar que começaram a faltar “sem necessidade” pelo fato de ter o direito de cometer as quatro faltas! Reduzi o numero de sessões para dezesseis, levando em consideração que cada caso é um caso, e tenho trabalhado com esse numero atualmente e conseguido bons resultados. Quanto ao numero de faltas, reduzi para três. Utilizo como instrumento de avaliação, os testes Beck e ESI que além da triagem, também aplico durante e no final das dezesseis sessões.

No término do tratamento dou ao paciente uma carta, constando os resultados da aplicação do teste, incluindo o realizado na triagem. Peço para entregar ao seu psiquiatra no próximo retorno. Já teve caso do psiquiatra não aceitar a alta em psicoterapia, por falta de conhecimento do EMDR. Diante deste episódio sempre mando um foolder junto com esta carta, como uma forma de divulgar o trabalho em EMDR, e já obtive resultados depois desta iniciativa. Um psiquiatra disse: "Um tratamento desse nível oferecido no SUS??? Interessante este método, eu não conhecia"! Com a aplicação do EMDR em pacientes do SUS, pude constatar que mais pessoas se beneficiarão em um menor espaço de tempo, pois cada paciente ocupará a vaga de terapia por um período de aproximadamente dois meses, ao passo que em uma terapia convencional o paciente para receber alta levaria o dobro de tempo, quando não o triplo. Não restam duvidas que o EMDR contribui para minimizar a fila de espera do SUS e que um número maior de pessoas receberiam tratamento psicológico gratuitamente, principalmente em uma época em que percebo que os profissionais da área da saúde, da educação, enfim as pessoas, a cada dia acreditam e procuram mais e mais o trabalho do psicólogo.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Eutanásia X Ortotanásia

Um dia desses, li no Blog do Dom Pepone uma reportagem da Folha de São Paulo intitulada Médicos revelam que eutanásia é prática habitual em UTIs do país.
Infelizmente, do meu ponto de vista, o texto confunde os dois conceitos. Frequentemente a ortotanásia é confundida com a eutanásia. Então resolvi começar conceituando um pouco:

Eutanásia*: é a prática pela qual se abrevia a vida de um enfermo incurável de maneira controlada e assistida por um especialista.

Ortotanásia: é o termo utilizado pelos médicos para definir a morte natural, sem interferência da ciência, permitindo ao paciente morte digna, sem sofrimento, deixando a evolução e percurso da doença.

Distanásia: é a prática pela qual se continua, através de meios artificiais, a vida de um enfermo incurável.


Fonte: Wikipedia

Salvo os limites tênues entre as diferentes práticas (assunto que deve ser discutido), a grande questão ética é: cabe à medicina estender a vida de um ser humano sem com isso dar-lhe conforto, qualidade ou expectativa de melhora? Não poderia ser considerado 'tortura' manter a vida de uma pessoa além do seu desejo e das possibilidades do seu corpo?
Do meu ponto de vista, a ortotanásia não deve ser nada além de não praticarmos a distanásia.

Resumindo, para mim a discussão não deveria ser se a ortotanásia deve ser permitida ou não, e sim, quais são os critérios e condições clínicas e éticas sob os quais ela deve ser aplicada.

Legislações sobre ortotanásia:

Legislação de São Paulo - 1999 - Insisos XXIII e XXIV do Artigo Segundo
resolução do CFM - 2006
Projeto de Lei Federal - 2009


* Ainda encontrei na wikipedia uma diferenciação entre eutanásia ativa e passiva. Mas na verdade me soou mais como uma tentativa de chamar a ortotanásia de eutanásia. Quando digo 'soou', é exatamente isso, pois nunca tinha ouvido falar dessa diferenciação antes.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Dor em Membro fantasma.

Link: http://www.4therapy.com/consumer/conditions/article/9533/614/Phantom+Limb+Pain

Por: Michelle Gottlieb, Psy.D., MFT


A dor em membro fantasma é uma das mais bizarras e desconfortáveis situações no campo da medicina. Ela acontece quando a pessoa permanece sentindo a dor de um membro amputado ou perdido em um acidente. A medicina se esforça há anos para lidar com isso da melhor forma. Houveram progressos, mas não o suficiente.
A dor de membro fantasma também pode ser encontrada em sobreviventes de câncer de mama que sofreram mastectomia. As pessoas relatam esse fenômeno depois de terem seu órgão removido. Os neurologistas têm algumas teorias sobre o porquê desse fenômeno, mas aqui também não ocorreram grandes descobertas.


Esse problema fica ainda mais evidente quando tratamos veteranos de guerra que lutaram contra a perda de seu membro e ao trauma relacionado.
Recentemente estive em uma conferência sobre EMDR, um tipo de terapia de trauma na qual que venho trabalhando nos últimos 9 anos. Eu realmente gosto de trabalhar com o EMDR por duas razões: existem várias pesquisas a respeito e ele realmente funciona! Tive contato com relatos do uso do EMDR em pessoas com dor de membro fantasma. E elas apresentaram resolução da dor! Eu fiquei surpresa e procurei ler as pesquisas sobre o assunto. E elas tiveram o mesmo resultado. Em algumas poucas sessões, a pessoa que sofre dessa dor há anos já não mais sofre o incômodo.

Eu fiquei fascinada com isso,de forma que iniciei um projeto de pesquisa com mulheres que sofrem de dor de membro fantasma relacionada à mastectomia. Se você ou alguém que você conhece sofre de dor de membro fantasma e gostaria de participar de um estudo, por favor, me ligue (USA +1) 714-879-5868x5. Se você ou alguém que você conhece sofre de dor de membro fantasma e gostaria de um tratamento, ligue no mesmo número.

Existe tratamento. Não deixe ninguém te convencer de outra coisa.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O que é a psicoterapia?

Conheci o texto abaixo no seguinte Blog Teia de Ideias:



“Não me deixe rezar por proteção contra os

perigos, mas pelo destemor em enfrentá-los.

Não me deixe implorar pelo alívio da

dor, mas pela coragem de vencê-la.

Não me deixe procurar aliados na batalha

da vida, mas a minha própria força.

Não me deixe suplicar com temor aflito

para ser salvo, mas esperar paciência para

merecer a liberdade.

Não me permita ser covarde, sentindo sua

clemência apenas no meu êxito, mas me deixe

sentir a força de sua mão quando eu cair.“



Rabindranath Tagore



Essa reflexão me fez pensar nas expectativas das pessoas em relação à terapia e em como o processo terapêutico se inicia.
Muita gente procura a terapia esperando uma resposta mágica que resolva os problemas de sua vida. Ainda existem aqueles que nos procuram esperando uma orientação, um conselho, um passo a passo de como fazer ou seguir. É claro que, eventualmente, existem orientações ou esclarecimentos, mas, em essência, a psicoterapia busca exatamente o que o texto nos coloca. Ajudar a pessoa a entender e lidar com o ambiente e os sentimentos que a cercam. Assim o próprio sujeito terá melhores condições de lidar e responder às suas dificuldades. Mas apenas ele poderá tomar as novas atitudes em sua vida.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Veja, Especial sobre Memória

Depois de me falarem da reportagem da Veja: A conquista da memória, fui conferir.
A discussão que me levou a ler a reportagem girava em torno da perspectiva de uma terapêutica medicamentosa para apagar memórias. Além das questões colocadas pelo próprio texto, como as outras memórias que também poderiam ser apagadas e o efeito colateral disso, penso em algo simples como um acidente de carro. Junto com o trauma do acidente, o motorista perderia a memória de seus possíveis erros e, consequentemente, não aprenderia a evitá-los. Ainda fiquei me perguntando:
Será que adiantaria simplesmente apagar a memória?
Qual será o real impacto disso no comportamento do sujeito?
Isso realmente apagaria o trauma?
Lembro-me de quando os antidepressivos e ansiolíticos foram descobertos. Acreditava-se que tínhamos descoberto a fórmula da felicidade. Na prática sabemos da importância dessa medicação, mas também sabemos que em geral elas apenas controlam um sintoma e que a terapia é fundamental para a efetiva mudança de comportamento.
Eu até preferiria achar que esse meu pensamento é de excessivo cuidado e um pouco retrógrado. Mas em se tratando de comportamento humano, dificilmente o caminho mais fácil é o melhor ou o mais eficiente. Um exemplo disso é o EMDR. Quando ouvi falar dele pela primeira vez, me soou meio mágico e essa mesma preocupação de que um caminho fácil seria pouco efetivo me veio ao pensamento. Com o tempo e prática, descobri o quanto o EMDR é realmente eficiente, mas não diria que ele é fácil, nem para o terapeuta, nem para o cliente. Ele tende sim a acelerar o processo, mas nem por isso o torna fácil.
O que me remete aquele ditado popular: O barato sai caro!!!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Implementando o EMDR em Pacientes com Câncer

Fonte: Health SA Gesondheid, June, 2002 by Elzabe Peters, Marie P. Wissing, Wynand F. du Plessis

Link: http://findarticles.com/p/articles/mi_6820/is_2_7/ai_n28133122/?tag=content;col1

A Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares (Eye Movement Desensitization and Reprocessing - EMDR) foi desenvolvido em 1987 e teve seu efeito comprovado no tratamento de distúrbios psicológicos baseados em memórias traumáticas. Nossa hipótese é de que o EMDR possa ser usado em pacientes traumatizados pelo diagnóstico e/ou tratamento de câncer, sendo indicado para o tratamento das respostas subjetivas e níveis de depressão, ansiedade, satisfação com a vida, balanço do afeto positivo e negativo além do senso de coerência. Com o objetivo de testar essa hipótese realizamos um estudo no qual três casos foram tratados com EMDR e outros três com método de suporte. A coleta de dados foi realizada através de entrevistas estruturadas, instrumentos de mensuração quantitativa e entrevistas por um validador externo. Encontramos resultados consistentemente favoráveis ao EMDR. O resultado confirma a eficácia clínica do EMDR tanto nas mensurações objetivas quanto subjetivas.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

EMDR e SUS ...Uma experiência!

Por: Rosângela Regiani
Psicóloga com especialização em Gestão de Pessoas, formação em Psicologia Tranpessoal, Psicodrama,MBA em Recursos Humanos e Terapeuta de EMDR
Palestina-SP/Brasil

Sou funcionária pública municipal e em maio de 2009 passei a cumprir minha carga horária de trabalho exclusivamente no SUS. Quando pensamos em SUS... logo vem o pensamento: ”demora em atendimento”! Mesmo morando em uma cidade de dez mil habitantes do interior de São Paulo, aqui em Palestina não é diferente das grandes cidades! Confesso que, no inicio, me incomodou muito o fato de ter tantas pessoas procurando o atendimento psicológico e não ter vaga disponível. Essas pessoas sempre acabavam na lista de espera, até que surgisse uma oportunidade para fazer a terapia.

Eu me sentia de pés e mãos atadas, porque na maioria eram casos de trauma com T maiúsculo (como dizemos no EMDR), seguidos de depressão!

Em uma conversa informal com o Coordenador do Departamento de Saúde, propus a ele que, durante duas horas por semana, faria uma triagem com essas pessoas que procuravam ajuda, para ouvi-las e orientá-las e, caso necessário, faria o encaminhamento para a psiquiatria no Hospital de Base de São José do Rio Preto, pois aqui não temos médico com essa especialidade. Enquanto os pacientes permanecem na lista de espera para a psicoterapia, já estariam adequadamente medicados e conseqüentemente com os sintomas da depressão mais suportáveis e prontos para fazer o tratamento, e assim foi feito. Nessa triagem, em dia previamente agendado, eu converso com eles e, se necessário, aplico o teste Escala Beck e em casos de crianças ou adolescentes aplico o teste ESI - Escala de Stress Infantil e também faço entrevista com a mãe. A lista de espera foi dividida em categorias: pacientes encaminhados para psiquiatria, crianças e adolescente, adultos e conselho tutelar, este último relacionado a atendimento psicológico para crianças e adolescentes atendidas por essa entidade. Quando surge uma vaga, dou prioridade aos casos mais graves para preenchê-la.

As sessões de terapia primeiramente eram realizadas uma vez por semana. Como a fila de SUS não parava de crescer, acreditei que se eu atendesse o paciente duas vezes na semana, ele teria acesso mais rápido ao seu conteúdo interno, minimizando seu sofrimento, e esperaria menos tempo pelo atendimento, de forma que a lista de espera teria uma maior rotatividade.

Aplico o protocolo de EMDR em sessões de quarenta e cinco a cinqüenta minutos, dividas em etapas; nas duas primeiras sessões faço a história clínica, preparação do cliente e a avaliação. Já aconteceu de usar mais de uma sessão para terminar esta fase, pois a clientela de SUS geralmente é composta por pessoas com baixo nível sociocultural e só depois inicio a fase de dessensibilização trabalhando com sessões incompletas.

Fiz uma experiência inicial com quatro pacientes, ambos com depressão grave, ansiedade grave, pessimismo grave. Dois com tentativa de suicídio e dois com pensamentos suicidas. Ofereci vinte e duas sessões, na frequência de duas vezes por semana. Antes de iniciar o tratamento, o paciente assina, além do contrato terapêutico, um termo onde ressalta que serão permitidas apenas quatro faltas, justificadas ou não.

Um paciente desistiu do tratamento. Entre os que permaneceram, pude perceber que apresentaram significativas melhoras e já na oitava sessão relatavam as mudanças e diziam que os familiares percebiam essa melhora; chegavam mais animados para terapia, sem contar que começaram a faltar “sem necessidade” pelo fato de ter o direito de cometer as quatro faltas! Reduzi o numero de sessões para dezesseis, levando em consideração que cada caso é um caso, e tenho trabalhado com esse numero atualmente e conseguido bons resultados. Quanto ao numero de faltas, reduzi para três. Utilizo como instrumento de avaliação, os testes Beck e ESI que além da triagem, também aplico durante e no final das dezesseis sessões.

No término do tratamento dou ao paciente uma carta, constando os resultados da aplicação do teste, incluindo o realizado na triagem. Peço para entregar ao seu psiquiatra no próximo retorno. Já teve caso do psiquiatra não aceitar a alta em psicoterapia, por falta de conhecimento do EMDR. Diante deste episódio sempre mando um foolder junto com esta carta, como uma forma de divulgar o trabalho em EMDR, e já obtive resultados depois desta iniciativa. Um psiquiatra disse: "Um tratamento desse nível oferecido no SUS??? Interessante este método, eu não conhecia"! Com a aplicação do EMDR em pacientes do SUS, pude constatar que mais pessoas se beneficiarão em um menor espaço de tempo, pois cada paciente ocupará a vaga de terapia por um período de aproximadamente dois meses, ao passo que em uma terapia convencional o paciente para receber alta levaria o dobro de tempo, quando não o triplo. Não restam duvidas que o EMDR contribui para minimizar a fila de espera do SUS e que um número maior de pessoas receberiam tratamento psicológico gratuitamente, principalmente em uma época em que percebo que os profissionais da área da saúde, da educação, enfim as pessoas, a cada dia acreditam e procuram mais e mais o trabalho do psicólogo.