quinta-feira, 29 de julho de 2010

Psicoterapia X Academia


Um dia desses, eu estava na academia pensando nos diferente motivos que levam uma pessoa a frequentá-la. Existem aqueles que são obcecados pelo corpo, os quais vão como um culto narcisista. Existem outros que vão para cuidar, melhorar ou manter a qualidade e a saúde de seu corpo. Também existem aqueles que frequentam a academia como alternativa ao ócio da nossa vida moderna. Há ainda outros que buscam o exercício físico como forma de recuperar a saúde perdida em algum incidente.

Na psicoterapia, normalmente temos aquelas pessoas que nos procurar por ajuda para enfrentar um grande problema ou dificuldade. A psicoterapia existe para isso, mas será que somente isso?? Nós, psicólogos, também enfrentamos nosso problemas e, quando isso acontece, corremos para nossas terapias. Entretanto, a maioria dos psicólogos faz terapia constantemente. Não porque temos o tempo todo coisas com as quais não conseguimos lidar, mas porque sabemos que mesmo aqueles incômodos menores podem ser resolvidos com muito mais facilidade com a ajuda de um processo psicoterapêutico do que sem ele.

Na verdade, buscar a psicoterapia quando estamos de bem com a vida é uma atitude de prevenção e crescimento, assim como quando buscamos ou nos mantemos na academia pelo prazer de nos manter em forma e nos sentir bem com nosso corpo.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Dessensibilização por Movimentos Oculares e Fibromialgia: um estudo piloto

Eye movement desensitization in fibromyalgia: a pilot study

Fonte: Complement Ther Nurs Midwifery. 2004 Nov;10(4):245-9.

A proposta deste estudo foi investigar a efetividade do EMD (protocolo antigo do EMDR) para o alívio da dor, fadiga, ansiedade e depressão em pacientes com fibromialgia. Seis mulheres brancas (idade média 43,2 anos) participaram de duas sessões de tratamento. A análise de desfechos incluiu o Questionário de Impacto de Fibromialgia, Escala de Fadiga, Inventário Beck de Ansiedade e de Depressão. As medidas de processo realizadas durante a sessão incluíram o monitoramento de biofeedback e unidades subjetivas de classificação do desconforto em termos de dor, estresse e fadiga. Quatro de seis pacientes foram considerados respondedores. O monitoramento térmico de biofeedback revelou um aumento mediano na temperatura da mão de 5,41, indicando um efeito de relaxamento. Ao término do tratamento, os escores médios sofreram redução no contexto ansiedade (28,6%), depressão (29,9%), impacto de fibromialgia (12,6%) e fadiga (11,5%). Depois de três meses de follow-up, a redução total dos escores, comparados com pré-teste, refletiram uma queda nas medidas de ansiedade (45,8%), depressão (31,6%), impacto de fibromialgia (19,2%) e fadiga (26,7%). Como o EMD produziu alguma resposta de relaxamento com participação mínima dos pacientes, pode ser especialmente útil quando as técnicas tradicionais de relaxamento falham.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

FIT2010 - De Peixes e Pássaros - Companhia Suspensa

Duração: 01:00
Classificação: Livre
Direção: Tarcísio Homem
Elenco: Lourenço Martins, Patrícia Manata e Tana Guimarães.


Sinopse:
A peça é tecida sobre imagens/pinturas de Marc Chagall e situações-memórias dos intérpretes criadores. As "paisagens" chagallianas, assim como as cenas que dividem o espetáculo, são povoadas por personagens que voam, seres que se metamorfoseiam em pássaros, peixes, e touros; homens e mulheres em festa ou luto; artistas de circo, bailarinas e músicos, configurando universos de humor e melancolia, fuga e leveza. A espacialidade do espetáculo propõe uma subversão do lugar como dado concreto, permitindo, por exemplo, que um trapézio possa ser uma porta, um balanço ou o ombro do pai.

Companhia Suspensa
A Companhia Suspensa trabalha, desde sua fundação, sob dois aspectos das artes cênicas: a dança e o circo contemporâneo. Desenvolvendo projetos de pedsquisa e interseções de linguagens do movimento, tanto na criação de performances e espetáculos quanto em projetos educativos. Entendendo a arte como um campo aberto de possibilidades, o grupo trabalha sob uma perspectiva sutil e humana: movimento, pulsões, sensações, palavras, música, silêncio, corpo e imagem fazem, do seu trabalho, construções cênicas que permitem leituras e percepções diversas.

Conheça mais sobre a Companhia Suspensa. Clique aqui!

APRESENTAÇÃO:
07/08 | sábado • 16h Teatro Dom Silvério
08/08 | domingo • 16h Teatro Dom Silvério
09/08 | segunda • 19h Teatro Dom Silvério

terça-feira, 20 de julho de 2010

EMDR: um novo tratamento para trauma e dor crônica

EMDR: a new treatment for trauma and chronic pain.

Fonte: Complement Ther Nurs Midwifery. 2000 May;6(2):91-4.

O EMDR é um novo tratamento psicológico para traumas que é capaz de facilitar uma redução rápida e permanente de pensamentos e sentimentos angustiantes (Carlson et al. 1998,Wilson et al. 1995). Além de reduzir o desconforto psicológico, o método leva a funções e atitudes mais adaptadas. A utilidade do método parece ir além do trauma, com resultados positivos relatados no tratamento de adições, fobias e dor (Henry 1996, Goldstein & Feske 1994, Grant 1986). Como um tratamento para dor, o EMDR se apresenta como um método que facilita mudanças permanentes na maneira como a dor é experimentada, somaticamente e emocionalmente. Conhecimento e compreensão dos princípios subjacentes ao EMDR podem também fornecer um guia para as intervenções mais eficazes por especialistas em dor.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Reabilitação de sobreviventes de tortura.

Rehabilitating torture survivors.

Fonte: J Rehabil Med. 2009 Sep;41(9):689-96.

Refugiados têm sido frequentemente expostos a tortura em seus países de origem. Uma questão central envolve a resultante apresentação multifacetad de problemas somáticos, psicológicos e sociais em um mesmo indivíduo, deixando severas limitações de atividade e restrições na participação. A conferencia internacional "Reabilitação de sobreviventes de tortura" (Rehabilitating Torture Survivors), foi organizada pelo Centro de Pesquisa e Reabilitação para Vítimas de Tortura (Rehabilitation and Research Centre for Torture Victims) em colaboração com o Centro de Psiquiatria Transcultural (Centre for Transcultural Psychiatry) de Rigshospitalet em Copenhague, Dinamarca, em dezembro de 2008. Os principais tópicos foram: o contexto da tortura; problemas mentais incluindo a psicoterapia; terapia pela internet e farmacoterapia; dor crônica; integração social e familiar; funcionamento e reabilitação. As evidências avaliadas dão luz sobre a importância da interdisciplinariedade para a reabilitação, mas estudos científicos rigorosos para compreender os programas de reabilitação de sobreviventes de tortura não existem. Por isso, é urgente estudar esses efeitos. Não obstante, pela combinação de diferentes áreas profissionais e científicas, elementos importantes sobre os problemas dos sobreviventes de tortura podem ser cruzadas com as evidências dos pacientes traumatizados e não traumatizados. Assim a terapia cognitivo comportamental com foco no trauma e o EMDR, bem como reabilitação interdisciplinar da dor, devem ser componentes para o sucesso do processo de reabilitação além de e uma grande atenção aos componentes contextuais.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

EMDR no tratamento da dor crônica

EMDR in the treatment of chronic pain.

Fonte: J Clin Psychol. 2002 Dec;58(12):1505-20.

A dor crônica é um desafio clínico persistente e significativo. Os estudos que examinaram técnicas psicoterapêuticas comuns sugerem que os resultados nem sempre se mantem, e que a dor muitas vezes não é aliviada. Explorações de novos métodos mais efetivos são necessárias. Este artigo descreve uma aplicação de EMDR, desenvolvido para melhorar o enfrentamento e reduzir o sofrimento e a dor crônica. A efetividade do protocolo de EMDR para dor crônica foi investigada em três adultos que sofriam de dor crônica. A efetividade da intervenção foi medida ao início, durante e após a intervenção, com um seguimento de dois meses. Todos os clientes reportaram uma queda substancial nos níveis de dor, no afeto negativo e aumento da habilidade de controlar a dor depois do tratamento. Esses resultados mostram que o EMDR pode ser eficaz no tratamento de dor crônica e que novas pesquisas são necessárias.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Apagar memórias traumáticas?


A Revista Galileu de Junho de 2010 traz a reportagem Uma cura para todos os medos. Nela, o que me chamou mais atenção foram duas diferentes perspectivas de tratamento. Uma delas seria uma droga que aplicada logo após o evento traumático, preveniria que ele se tornasse um trauma psíquico ao potencializar a plasticidade cerebral. A outra, já mais questionável, seria de uma droga capaz de apagar da memória o evento traumático. A reportagem discute muito os riscos envolvidos ao se apagar uma memória ou um medo, usando inclusive o exemplo do filme "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças" ondem os personagens, ao apagar seus erros, teimam por repeti-los. Pensando assim, será que é melhor esquecer um sequestro e não aprender a se prevenir, do que lembrar e ser capaz de tomar mais cuidado?

Sei que trago a questão de uma forma bem superficial, mas de qualquer forma, a revista já a abordou de maneira melhor (pena que o texto na integra ainda está disponível apenas para assinantes). Por isso mesmo pretendo discutir outra perspectiva não abordada na reportagem.

No trabalho com EMDR, fico encantado com o quanto, ao reprocessarem o trauma, as pessoas aprendem com as dificuldades que viveram. Pensando dessa forma, 'apagar' o medo seria perder essa possibilidade. É claro que se pensarmos nos tratamentos convencionais, o tempo para se obter esse resultado pode ser longo demais, e o custo (tempo de sofrimento até o fim do tratamento) pode não valer a pena. Mas se pensarmos que hoje temos o EMDR como um grande aliado nesse trabalho, para que continuar sofrendo?

EMDR no tratamento de dor cronica em membro fantasma.

EMDR in the treatment of chronic phantom limb pain.

Fonte: Pain Med. 2008 Jan-Feb;9(1):76-82.

OBJETIVO: Poucas pesquisas confirmam ganhos a longo prazo no tratamento da dor do membro fantasma. Este estudo descreve e avalia o EMDR no tratamento com longo seguimento. METODOLOGIA: série de casos de pacientes com dor em membro fantasma. CONTEXTO. Pacientes hospitalizados e pacientes em tratamento particular. PACIENTES: estudo de caso de cinco pacientes com dor em membro fantasma, com idade de 1 a 16 anos. Todos os pacientes haviam feito uso de diversos medicamentos antes do EMDR. INTERVENÇÃO: Três a 15 sessões de EMDR foram usadas para tratar a dor e suas ramificações psicológicas. MEDIDAS DE DESFECHO: os pacientes foram avaliados pela continuidade do uso da medicação, intensidade e frequência da dor, trauma psicológico e depressão. RESULTADOS: o EMDR resultou em uma significativa queda da dor ou sua remissão, redução da depressão e de sintomas de TEPT para níveis subclínicos, além de uma significativa redução ou eliminação do emprego de medicamentos relativos à dor fantasma e nociceptiva a longo. CONCLUSÕES: uma visão geral e o follow-up a longo prazo indicam que o EMDR foi bem sucedido no tratamento tanto da dor em membro fantasma quantod consequências psicológicas da amputação. Neste ultimo, inclui-se questões de perda da personalidade, luto, auto-imagem e ajustamento social. Os resultados sugerem que (1) um significativo aspecto da dor de membro fantasma é a memória fisiológica da dor nociceptiva experimentada no momento do evento, e (2) essas memórias podem ser reprocessadas com sucesso. Futuras pesquisas são necessárias para explorar as implicações teóricas e terapêuticas dessa abordagem.