Muito se tem falado da Psicóloga que recebeu uma censura pública do Conselho Federal de Psicologia e cedeu recentemente entrevista à revista VEJA (Edição 2125,12/08/2009). Fora todo o sensacionalismo, a exemplo de termos como "ditadura gay", gostaria de fazer uma pequena consideração.
Concordo quando ela diz que muitas pessoas que sentem desejo por indivíduos do mesmo sexo sofrem com isso e, por esse sofrimento, muitas vezes querem "deixar de ser" homossexuais. O grande problema está no pressuposto de que sentir desejo pelo mesmo sexo é errado e que a pessoa deve ser curada. Pode até ser que, com o processo terapêutico, alguns decidam oprimir este "lado", ou quem sabe até o desejo venha de algum tipo de distorção aprendida. Mesmo que isso seja verdade, mesmo que o cliente procure terapia para deixar de ser gay, isso não pode ser um ponto definido na terapia.
O processo psicoterápico deve ter como meta levar a pessoa a viver melhor com consigo mesma e com os outros. O caminho a seguir só poderá ser construído durante a psicoterapia. Não devo partir do ponto que ele deve se aceitar (mesmo que esse seja o processo mais comum), nem que ele deva deixar de sentir desejo ou repreender seus comportamento homoeróticos. Psicoterapia é antes de tudo auto-conhecimento, para que a pessoa tenha condições de escolher e buscar alternativas para uma vida melhor.
(Imagem retirada de Veja)



Como duvido totalmente de qualquer possibilidade de "reverssão sexual", acho que qualquer procedimento q induza a pessoa a se reprimir e q a faça acreditar q ser hetero é melhor ou o "certo", é condenável. Acredito q sexualidade seja parte importante demais da vida de qualquer um, pra poder ser ignorada. Duvido que alguém possa ser feliz não sendo ele mesmo, quando se vê obrigado a reprimir sua sexualidade.
ResponderExcluirConcordo com o comentário do Gabarra de que é possível sim que uma pessoa desejar mudar suas tendências, possível e legítimo, apesar disso isto não poder ser o centro do processo psicoterápico. Um pedófilo que procurasse um psicólogo porque se sente mal com suas tendências não seria considerado algo inapropriado na psicoterapia, muito pelo contrário.Então...
ResponderExcluirO que pode ser considerado uma doença é a sexualidade ego-distônica, que pode existir em pessoas com comportamento homo, hetero, bi ou qualquer outra nomenclatura que se queira colocar. E o fundamental do trabalho é levar a pessoa a se conhecer, e ela decidir o que fazer ou não com isso.
ResponderExcluirAcredito que a a base dessa discussão é bem explorada no seguinte texto:
Discordar de nosso próprio desejo
(Folha de São Paulo, quinta-feira, 20 de agosto de 2009 - http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2008200924.htm)
O autor finaliza com a seguinte observação:
"Em outras palavras, diante da ego-distonia, o terapeuta não pode tomar partido nem pelo desejo sexual do paciente, nem pelas instâncias que discordam dele.
Ou melhor, ele pode, sim, só que, se agir assim, ele deixa de ser terapeuta e vira militante, padre ou pastor."